Equilibrando pratos

Vida de mulher moderna não é mole, não. Trabalhar, organizar a casa – ou, quando está sem ajudante, faxinar mesmo -, cuidar de filho, marido, cachorro, pagar as contas, dividir despesas…

Acho que a melhor imagem para ilustrar a situação da mulher atual é a do equilibrista de pratos. Sabe o cara que pega uma vareta, coloca um prato em cima e põe para rodar? Aí ele pega outra vareta, põe outro prato, e outro, e outro, e quando já juntou um monte, ele volta para rodar novamente o primeiro, para não deixar cair. Como é difícil manter o ritmo certo e voltar na hora exata a cada prato antes que ele se espatife no chão… e cada vez colocam mais pratos.

A gente está lá, rodando o prato do estudo e do namoro. Juventude, época boa: pouca preocupação e a vida toda pela frente. Até aí, só dois pratos – maravilha. Começa a trabalhar – opa, mais um prato. Já virou desafio.

Com a faculdade, vem o estágio – nem sempre dá pra largar o emprego, porque estágio ou não é remunerado, ou paga pouco: continua o prato do trabalho – e volta lá no prato do namoro pra não cair.

Você se forma, resolve casar, precisa investir na carreira, vêm os filhos, casa pra cuidar, não deixar casamento cair na rotina, estar bonita, estar em forma, depilar, cuidar dos pais, guardar dinheiro para o carro novo, compras do mês, organizar viagem de férias, marido ficou doente!! Gente, é muuuuito prato.

Para quem não me conhece, antes de continuar eu vou avisar que sou totalmente a favor da igualdade, liberdade e do movimento feminista. Mas às vezes eu converso com senhoras de outras gerações e fico me questionando quando as escuto falar: “a mulherada de hoje trabalha demais. Elas queriam tanta liberdade, trabalhar, dividir a conta. Agora trabalham fora, dentro e ainda sustentam os filhos”.

Vejo mulheres frustradas porque deixam filho doente para ir trabalhar. Outras que tiveram que congelar a carreira para não deixar o prato da família desabar. Escolhas difíceis. Vamos combinar que a gente queimou o sutiã em praça pública e o peito caiu!

Não é à toa que encontramos tantas mulheres em cursos de ayurveda, meditação, reiki, shiatsu, feng shui. Estamos tentando encontrar o caminho perdido, ou melhor, um novo caminho. Chegamos até aqui – e agora, o que será daqui pra frente? Haja meditação…

Precisamos rever valores, repensar prioridades, buscar alternativas. Vejo um novo momento surgindo – uma espécie de retorno, não ao passado, mas ao futuro. Um futuro que parece ter ficado lá atrás, esquecido nos sonhos de fazer um novo mundo.

Enquanto procuramos respostas, precisamos continuar a manter os pratos bem equilibrados, rodando vivamente. E, claro, fazemos tudo isso de salto alto, como só as mulheres conseguem fazer.

Nós vamos chegar lá.

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