Itália consegue se enrolar sozinha em mais um escândalo no futebol

Com mais uma denúncia no futebol italiano, será difícil ver estádios como o San Siro lotados todo domingo

Com mais uma denúncia no futebol italiano, será difícil ver estádios como o San Siro lotados todo domingo

O futebol italiano nunca foi uma das coisas mais confiáveis pelo que acontece fora de campo. Mas agora eles conseguiram se superar de maneira estapafúrdia. O novo escândalo causou na última segunda a prisão do capitão da Lazio, Mauri, e o corte do lateral Criscito, que se preparava com a seleção italiana para a Eurocopa que começa na próxima semana. Outras 18 pessoas estão envolvidas em um complexo esquema de combinação de resultados de partidas da Série A.

Quer mais sujeira? O técnico Antonio Conte, que acabou de ser campeão nacional pela Juventus de maneira invicta e escreveu seu nome na história do clube, entrou na mesma roda e será investigado pelo Ministério Público Italiano por, nos tempos em que esquentava o banco ao treinar o Siena, ter ordenado a seus jogadores que segurassem um empate ao invés de tentar a vitória, numa clara tentativa de armar um resultado que beneficiaria um grupo de apostadores.

Paolo Rossi ficou sem jogar dois anos

O pior de tudo é que a Itália poderia ter aprendido com seus escândalos anteriores e nada foi feito. Nos anos 80, houve o terrível escândalo de corrupção que fez o artilheiro da Copa do Mundo de 1982, Paolo Rossi, ser suspenso por dois anos e rebaixou dois clubes gigantes: Lazio e Milan. Em 2005 e 2006, a Juventus perdeu na Justiça seus dois títulos e uma das taças não foi para clube algum, também por armação de resultados. O clube de Turim cumpriu pena na Segundona.

A situação é séria porque, assim como no Brasil, o futebol é a paixão nacional. Ver o sistema ir por água abaixo e ser corroído por manipulações deixou o primeiro-ministro da Itália, Mario Monti, atordoado. Tanto que ele deu um pitaco na história e disse que o futebol por lá deveria ser paralisado por dois ou três anos. “Não assumo postura governamental, mas sim como um grande apaixonado por futebol. Talvez uma suspensão total dos jogos poderia ajudar a todos.”

E se você acha que a imprensa exagera ao abordar o caso com tanta veemência, é porque não deve ter lido o depoimento de Filippo Carobbio, atleta do Siena no ano passado e que abriu a boca contra Antonio Conte, garantindo que o técnico sabia da manipulação de resultados. À procuradoria de Cremona, que investiga o caso, Carobbio ainda deu detalhes nojentos do jogo Siena 2×2 Novara, disputado em 1º de maio de 2011. Conte alega inocência, mas tá difícil acreditar nele.

“Basicamente o treinador Conte se limitou a dizer que teríamos que empatar o jogo. O treinador afirmou que poderíamos ficar tranquilos, porque nós já tínhamos chegado a um acordo pelo resultado”, disse o cidadão. O que eu mais penso nessa hora é na cara do pobre torcedor que gasta dinheiro e tempo com o futebol, toma chuva e passa frio nos estádios para, depois, descobrir que um jogo pode ter sido armado. No mínimo, podemos chamar isso tudo de uma baita palhaçada,

É bom que os italianos deem um jeito na situação, pois recuperar a credibilidade pela terceira vez em 20 anos será uma tarefa das mais difíceis. Eu, que já nem dou muita bola para o Campeonato Italiano, pensarei duas vezes antes de ver uma partida da Velha Bota. Uma pena, mas essa é a grande realidade. Ou eu tô errado?

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