A síndrome de Neymar ataca Balotelli
O mundo ficou abismado com a derrota de 4 a 0 que a Itália sofreu para a Espanha no último domingo, pela final da Eurocopa. Esperava ver um duelo mais equilibrado e depositava as fichas de uma eventual conquista italiana no pé do atacante Mario Balotelli. Só que o camisa 9 sumiu. Foi engolido pela marcação. Não tinha com quem jogar. Sofreu exatamente da mesma síndrome que ataca Neymar no Santos e na Seleção Brasileira.
Isso quer dizer que Balotelli é ruim? Não! Ou significa que ele é um amarelão na hora em que precisa fazer a diiferença? Ora, me poupe. Evidentemente que não. Só que, assim como Neymar, tem dias em que Balotelli não resolve a parada sozinho e precisa de ajuda. Do mesmo que o atacante brasileiro, o craque italiano não tem muita gente decisiva ao seu lado. Aí, coitado, pega uma Espanha acertadinha pela frente e dá no que dá, né?
Balotelli tem um milhão de problemas e sua cabeça parece funcionar em uma outra rotação. Disse que não comemorou os gols na semifinal contra a Alemanha porque sua função é essa e nunca viu um carteiro vibrar de alegria cada vez que entrega uma carta. Chega a arrancar risadas, tamanha a simplicidade de seu raciocínio. Se for acompanhado de perto tanto pela Federação Italiana quanto pelo Manchester City, pode ser um gigante.
Só que ele ainda não está pronto para, em um estalo, decidir campeonatos entre seleções sem ter a ajuda de jogadores experientes ou igualmente talentosos. O que não é nenhum pecado para um jovem de 22 anos. Assim como não é pecado para Neymar, aos 20, não ter ajudado o Brasil a ganhar a Copa América de 2011, por exemplo. Os dois fazem parte de amplos processos de renovação tocados tanto no Brasil quanto na Itália.
Que darão frutos, isso não tenho a menor dúvida. Basta ver o quanto Balotelli foi decisivo ao longo da Eurocopa e como fez a diferença na conquista do título inglês pelo Manchester City. Ou ainda se dar conta de que Neymar comandou aos 19 anos o Santos em uma conquista continental que não via de perto há praticamente cinco décadas. Só precisamos aprender a deixar os meninos respirarem. Perder faz parte da vida e ajuda a vencer lá na frente.


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