Bebidas

Um brinde à cerveja!

Os deliciosos e refrescantes vinhos brancos, roses e espumantes que me desculpem mas Verão também tem que ter cerveja!
Foi pensando nisso, que durante a estação mais quente do ano, a coluna Momento DiVino, pela sommelière Cláudia Oliveira, que está de férias, este espaço será dedicado aos fermentados de cereais. E eu, Aline Araújo, sommelière de cervejas e apaixonada pelo tema, compartilharei algumas informações para que você, leitor, se surpreenda e entenda um pouco mais a complexidade e riqueza sensorial que uma taça de cerveja pode te entregar.
A cerveja sempre foi vista como a prima pobre do vinho, mas o fato é que as duas bebidas nasceram juntas, há mais de 8 mil anos, junto com a mudança de comportamento do homem, que deixou de ser nômade e passou a viver em comunidade, plantando e colhendo frutos e cereais para alimentar-se.
Em uma região de solo muito fértil para cereais localizada entre os rios Tigre e Eufrates (atual território iraquiano), chamada de antiga Mesopotâmia, a cevada crescia de forma selvagem e os povos daquele local aproveitaram isso, se fixando próximo dali e utilizando o cereal como fonte de alimento. A história conta que aquela mistura rústica dos cereais colhidos, foi supostamente umedecida por uma chuva e posteriormente contaminada por leveduras selvagens que, magicamente, transformaram aquele mistura em algo muito mais interessante.
Evidentemente, o resultado agradou (e muito) o homem da época, que decidiu repetir aquele ritual, agradecendo aos deuses pela iguaria obtida através da fermentação (cujas razões científicas ainda eram desconhecidas), que deixava aquele mingau bem mais saboroso e relaxante.
De lá pra cá muitas variações foram criadas, uma centena de estilos se delinearam e tantos outros ainda estão em formação, uma vez que a equação com as variáveis água + cereais + lúpulo + levedura + especiarias ou frutos e condimentos + criatividade do cervejeiro resulta em infinitas possibilidades.
Hoje, há tipos de cervejas para todos os gostos, desde os mais simplórios, que não dispensam uma cerveja dourada e bem gelada para matar a sede despretenciosamente, passando pela complexidade aromática de toda a riquíssima família das cervejas Ales, com suas notas frutadas e condimentadas, chegando até as Lambics, cervejas super ácidas e selvagens com notas terciárias e muita personalidade.
Aqui, iremos falar de estilos históricos e clássicos, passando por algumas tendências e também dicas de locais onde tomar boas cervejas na cidade, com a intenção de que você me acompanhe e descubra seus estilos preferidos, aqueles que sempre terão um espaço garantido na sua geladeira! Nessa edição já compartilho quatro rótulos que provei e indico. Então prepare sua taça e vem comigo! Cheers!

PROVEI E INDICO

Rótulo: Everbrew Sister Sour
Cervejaria: Everbrew
Origem: Santos/SP
Estilo: American Wild Ale / Sour Ale
Teor Alcoólico: 5,5%
Sabor: super refrescante, azedinha e frutada, a receita leva ainda maracujá que deixa o aroma explosivo e delicioso.
Harmonização: ceviche de peixe branco apimentado, carnes magras com molhos cítricos ou musse de limão ou maracujá.

Rótulo: Paulistânia Trem das Onze
Cervejaria: Paulistânia
Origem: São Paulo/SP
Estilo: American Pale Ale
Teor Alcoólico: 4,7%
Sabor: APA com 11 lúpulos dourada e refrescante, com amargor moderado
Harmonização: versátil, vai bem com risoto, cheese-salada  e queijos semi-duros.

Rótulo: La Trappe Witte
Cervejaria: Koningshoeven
Origem: Tilburg, Holanda
Estilo: Belgian Witbier
Teor Alcoólico: 5,5%
Sabor: produzidas dentro em um mosteiro beniditino da ordem cisterciense da estrita observância, o que as tornam cervejas trapistas. Frisante, leva trigo temperada com casca de laranja e sementes de coentro que completam o bouquet aromático. <QA0>
Harmonização: cítrica e refrescante, combina com rodízio japonês.

Rótulo: Fuller’s ESB
Cervejaria: Fuller’s
Origem: Londres, Inglaterra
Estilo: Strong Bitter
Teor Alcoólico: 5,9%
Sabor: tem o balanço perfeito dos maltes caramelados – que trazem um lindo caráter abiscoitado e de toffee com os lúpulos ingleses Challenger, Goldings, Northdown e Target que complementam o buquê com notas terrosas, florais e condimentadas. Harmonização: da escola inglesa é par perfeito para o Fish’n’Chips.