Tendência é pizza mais leve. Anote receitas

Paixão nacional, a pizza está na casa dos brasileiros, na reunião de família de domingo e também no dia a dia. Segundo levantamento da Apuesp (Associação Pizzarias Unidas do Estado de São Paulo), diariamente são consumidas 1 milhão de pizzas no País, sendo quase 600 mil apenas em São Paulo – considerada como a segunda cidade que mais consome a redonda no mundo, ficando atrás apenas de Nova York.
O sucesso é tanto que ela tem uma data só dela. O Dia Internacional da Pizza, instituído em São Paulo em 1935, é comemorado hoje, dia 10.
Seguindo uma tendência que se vê em outros segmentos, o mercado de pizzas também tem se adequado à maior demanda pela alimentação mais leve, saudável e ainda vegetariana. Oscar Martins, do Bublet Casual Food e do Restaurante e Pizzaria Van Gogh, conta que a vegetariana é uma das pizzas mais pedidas do menu do Bublet.
Na cobertura, molho de tomate, gotas de catupiry, tomate seco, shimeji, pimentão vermelho, alho, cebola roxa e alho-poró. “Muita gente está em busca de massa integral e a vegetariana tem muito sabor, mesmo sem ter nenhum embutido. Os veganos, inclusive, pedem para tirar o catupiry”.
Segundo Oscar, um dos diferenciais também são os ingredientes. “Usamos a farinha italiana, que é moída na pedra e não fica com gosto amargo como as convencionais”. Outra que faz sucesso é a de salmão com alho-poró.
Na Van Gogh, a procura maior tem sido por ingredientes artesanais, menos processados, seguindo a tendência de uma alimentação mais saudável, de um termo que vem sendo cada vez mais usado, que é o de comida de verdade. Nessa lista está a Rocheta, que tem calabresa artesanal, muçarela, azeitonas pretas, tomate sweetgrape, ricota de búfala e manjericão. Lançada no ano passado, ela já entrou para a lista das mais vendidas da casa.
No restaurante, a procura por ingredientes mais exóticos na pizza também tem crescido como a pizza escondidinho, que leva carne-seca acebolada, creme de mandioquinha, catupiry, gratinado com parmesão.
A Cantina Babbo Américo, que tem em seu menu um clássico da casa, que já foge do convencional – a pizza de champignon com salame e molho rosê –, incluiu outras mais leves para atender a demanda cada vez mais crescente. “Tenho percebido uma migração das pizzas mais pesadas para as menos gordurosas e diferentes, inclusive por massa integral, que ainda não fazemos por uma questão logística da cozinha”, explica um dos proprietários, Américo Júnior.
Ele conta que a Pizza Cremona já está na lista de top 10 da pizzaria, que tem ao todo 35 opções. Ela tem muçarela de búfala, abobrinha grelhada, queijo brie e amêndoas laminadas. “Inclusive é a minha preferida”, diz. Outra que tem se destacado é a Salerno, cuja cobertura recebe cream cheese, peito de peru, alho-poró e tomate cereja.
“Houve um tempo em que a tendência eram pizzas gordurosas como calabresa moída, lombinho. Hoje, isso mudou”, diz Júnior.

——-História de 5 mil anos——-
Quando pensamos em pizza, automaticamente pensamos em Itália. Realmente, os italianos são mestres nesse assunto. Mas é importante lembrar que babilônicos, hebreus e egípcios já misturavam o trigo e a água para assar em fornos rústicos há mais de 5 mil anos. A massa, então chamada de “pão de Abraão”, era muito parecida com os pães árabes atuais e recebia o nome de piscea.
Mas foram os italianos que juntaram, a essa massa de pão, os tomates levados aqui da América. A Associazione Verace Pizza Napoletana atribui o casamento entre a massa e molho no século 18. Porém, muitos argumentam que ele só começou a ser usual ainda 100 anos depois.
A pizza até o século 19 era a comida dos pobres, dos lazzaronis (vem de Lázaro). E sua fama não era boa. “Uma espécie de bolo repulsivo”, descreveu Samuel Morse, o inventor do telégrafo, em 1831. Elas eram vendidas em tabuleiros nas ruas.
Porém havia membros da aristocracia que a apreciavam. Era o caso da rainha Margherita, mulher do segundo rei da Itália unificada, Umberto I.
Conta a lenda que, cansados da comida francesa, mandaram chamar o pizzaiolo Raffaele Esposito, da Pizzeria Brandi (que existe até hoje em Nápoles), para que ele preparasse pizzas.
Esposito preparou uma delas com tomate, muçarela e manjericão. A receita ficou conhecida como pizza Margherita, depois que a rainha a declarou como sua favorita. Até hoje, está pendurada na parede da pizzaria Brandi a nota de agradecimento do maître do Palácio Real.
As cores da pizza serem as mesmas da bandeira da Itália tornou-se um detalhe importante para o patriotismo dos italianos em torno da redonda. Hoje, a Margherita, assim como a Marinara são as duas pizzas autênticas, merecedoras de selo de garantia e proteção governamental.
Mas a popularidade do prato só aconteceria muitas décadas depois, após a Segunda Guerra Mundial. Vários fatores facilitaram a expansão da pizza por toda a nação. Os soldados enviados dos Estados Unidos e da Inglaterra adoraram a pizza napolitana.
Também, os milhares de migrantes e imigrantes italianos do sul para as outras partes da Itália e do mundo levaram junto a receita na bagagem. Começaram a aparecer pizzarias em todo canto.
A seguir, veja duas receitas de pizzas que fazem sucesso no Babbo Américo e na Bublet Casual Food.

Pizza Cremona, Babbo Américo

Ingredientes: 200g de farinha de trigo; 5g de fermento biológico; 1 colher (café) de manteiga; 1 colher (café) de sal; 2g de açúcar; 100 ml de água e 10 ml de azeite. Cobertura: 550g de muçarela de búfala; 450g de abobrinha grelhada; 250g de queijo brie fatiado e 80g de amêndoas laminadas.
Preparo: corte a abobrinha em rodelas finas (não muito finas), tempere com pouco sal e grelhe no azeite. Reserve. Espalhe as amêndoas laminadas em uma forma e leve ao forno em temperatura média até dourar. Reserve. Monte a pizza colocando a muçarela de búfala, as abobrinhas grelhadas e por cima as fatias de queijo brie. Leve ao forno por cerca de 15 minutos. Quando tirar, coloque as amêndoas.
Dica: se tiver forno elétrico que chegue a temperaturas mais altas, a pizza assa mais rápido. No caseiro, é preciso mais tempo.

Pizza Vegetariana, Bublet Casual Food

Ingredientes: 1 kg de farinha moída na pedra; 500 ml água; 1 colher (sopa) de azeite; 1 colher (sopa rasa) de sal; 1 colher (sopa) de fermento biológico amassado com as mãos. Casual Food.1 colher (sopa) de molho de tomate; 200g de catupiry; 8 a 10 tomates secos; 100g de cogumelo tipo shimeji; 8 tiras finas de pimentão; 8 rodelas finas de palmito. Cubra o disco da pizza com abobrinha grelhada; camada de alho-poró fatiado e camada de cebola roxa fatiada; alho moído e orégano a gosto.
Preparo: amasse tudo até a superfície ficar lisa. Faça bolinhas de 200g. Espere crescer o dobro de tamanho. Abra com um rolo até a massa ficar fininha e leve ao forno preaquecido a 250ºC para preassar por 10 minutos. Rende 5 discos. Coloque o molho e os outros ingredientes na ordem. Leve ao forno preaquecido por 10 a 15 minutos.