Resenha: Toots and The Maytals promovem noite histórica no Cine Joia


Vídeos por Jessica NG

Difícil descrever a emoção de ver Toots Hibbert em carne e osso, debutando em palcos brasileiros, mas tentarei. Toots, 73 anos, é um cantor jamaicano, pioneiro do ska, rocksteady e considerado o criador do termo reggae, por conta de uma de suas músicas, Do the reggay, de 1968.

Ele iniciou sua carreira em 1964 com o grupo vocal The Maytals e desde então já ganhou Grammy, foi eleito um dos 100 melhores cantores de todos os tempos pela revista Rolling Stone, teve músicas regravadas por artistas como The Clash, Keith Richards, Amy Winehouse, The Specials, Bonnie Raitt, Willie Nelson, Eric Clapton, No Doubt, Ben Harper, The Roots, Shaggy e por ai vai.

Resumidamente o cara não é só uma lenda viva da música jamaicana, mas sim um patrimônio cultural da música mundial. Intenso, hein?!

Vamos aumentar a dramaticidade. Em 2013, Toots foi atingido na cabeça por uma garrafa de vodka, arremessada por um idiota, durante uma apresentação em Richmond/EUA e teve uma concussão.

Após o incidente, cancelou todas as performances seguintes, alegando não se sentir mais seguro para fazer shows e ficou três anos sem se apresentar.

Mas voltando ao show dessa quinta-feira (13), o Cine Joia estava com lotação máxima e diversas pessoas, do lado de fora, ainda buscavam por ingressos. O show estava marcado para as 22h30 e até então, nada de Maytals no palco. A apreensão era grande.

As pessoas gritavam por “Toots, Toots, Toots” no intervalo das músicas tocadas pelos DJs Jurássico e Greg Fernandes, do coletivo Jamboree.

A expectativa era tão grande, que escutei a seguinte conversa no público: “Wow, nem acredito que vou ver o Toots!”. Ao que o seu amigo prontamente respondeu: “Aguenta aí. Não comemora antes da hora”. Ouvi isso e gelei.

Às 23hs, as luzes se apagam e, como em uma sessão de cinema, a casa projeta no palco um vídeo com normas de segurança e tudo o que há direito. Eis que sobe ao palco… A banda, que consistia de duas guitarras, baixo, teclado, uma vocalista de apoio e uma outra que cantou duas músicas.

Sim, duas músicas e nada do Toots. Às 23h15, ele apareceu e apresentou a cantora da banda, sua filha Leba Hibbert, que se junta a outra vocalista de apoio durante o resto do show.

Quando esse homem subiu ao palco, parecia final de campeonato. O Cine Joia veio abaixo com Pressure Drop. Foi de arrepiar.

Chegou exibindo, orgulhoso, uma camiseta da Seleção Brasileira, com o número 54 na frente e o 46 nas costas.

Uma vez, vi o Keith Richards dizer que a primeira vez em que ele viu o Toots cantando, achou que o (na época) rapaz estava dublando, pois ele não fazia esforço nenhum para cantar e a sua voz soava incrivelmente potente.

Pois então, em outubro de 2016, a sensação que tive foi a mesma. Hibbert segurava o microfone a uma distância de dois palmos para baixo da sua boca e, mesmo assim, sua voz soava absurdamente alta, firme e forte.

O cara dançou, cumprimentou todas as pessoas que esticavam a mãopara ele, tocou violão, saiu de cena e voltou para o bis.

Fez tudo o que um grande artista deveria fazer e foi além, demonstrando carinho e sendo simpático, mesmo quando uma fã subiu ao palco para que ele assinasse não uma, mas duas bandeiras da Jamaica.

Ah e antes que eu me esqueça, ele tocou todos os hits da sua vitoriosa carreira. Monkey Man, Funky Kingston, Sweet and Dandy, Louie Louie, Take me Home Country Road e encerrou com uma versão enorme de 54-46 That´s my number. Uma noite perfeita e histórica.

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