Crítica | After Life: Humor ácido em perspectivas sobre luto

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After Life é uma série original Netflix com duas temporadas, que em seus episódios de 20 minutos, conta a história de Tony Johnson, um jornalista que trabalha em uma redação local na Inglaterra e perdeu sua esposa após uma luta contra o câncer de mama.

No momento em que a série se inicia, é perceptível a tristeza e o pensamento suicida de Tony (Rick Gervais), o recém viúvo. São apresentados vídeos que sua esposa deixou antes de falecer, e por meio deles, desenrola-se a história da série.

Por mais que deseje a morte, Tony falha miseravelmente em inúmeras tentativas. Quando decide se revoltar contra a sociedade, não poupando ninguém, se torna um homem amargo, liberando sua ira para qualquer pessoa, mesmo que isso signifique magoar as pessoas que o amam.

Seus colegas sofrem diariamente com seu comportamento, principalmente seu cunhado Matt (Tom Basden), que é seu chefe e se recusa a demiti-lo por medo de perder mais uma pessoa querida.

Importância das amizades

Ao decorrer de After Life, é perceptível o desenvolvimento do protagonista e suas tentativas de se tornar uma pessoa melhor, ainda que na verdade só queira morrer.

Amizades como a de Roxy (Penelope Wilton), uma “profissional do sexo”, como prefere ser chamada (que inclusive é hilária), foram cruciais para que Tony enxergasse além de si mesmo em sua jornada.

Sandy (Mandeep Dhillon) também é um dos pilares para a construção da história. Mesmo sendo uma estagiária recém chegada na redação, não se deixa abalar com a falta de interesse de Tony em ensinar, buscando mostrar a ele uma nova perspectiva de vida.

Notas sobre After Life

De início, After Life parece ser um poço de grosseria com humor ácido. Porém, é demonstrado equilíbrio entre o drama e o humor no desenrolar da trama, sendo os coadjuvantes pilares para a construção do enredo.

Ainda que sua primeira temporada não tenha aprofundamento nos personagens, outrora passa a investir nos secundários. Ao contrário de Tony, os demais personagens reagem de maneiras diferentes ao luto, insinuando que não é necessário ser agressivo para lidar com os problemas da vida.

A série sempre remete à premissa de que o sentimento autodestrutivo é motivado pela perda recente, e que essas perdas fazem com que venhamos a mudar quem somos a fim de omitir o luto. É um esboço da realidade.

Em suma, vale a pena conferir a série e refletir sobre seus acontecimentos. Confira o trailer:

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