Entrevista | Tones and I – “Acho que a atual geração já começou a mudar o mundo”

Há pouco mais de um ano, a cantora australiana Tones and I bombou no mundo inteiro com o single Dance Monkey. A faixa invadiu as baladas (antes da pandemia, claro), academias e virou um dos grandes hits de 2019. Para se ter uma ideia, o divertido videoclipe da canção já conta com mais de 1,2 bilhão de visualizações no YouTube. No Spotify chegou a ter mais de 5 milhões de plays diários.

O curioso é que a cantora pouco fala sobre suas origens. Muitos sites chegaram a divulgar que ela tinha apenas 19 anos, mas a informação foi desmentida por uma amiga, que indicou a artista ter 26, em 2019. Até hoje o mistério persiste e ninguém ousa cravar a idade correta de Toni Watson (nome original).

Independentemente do mistério, Tones and I possui uma história curiosa. Antes do sucesso de Dance Monkey, ela trabalhava numa loja de discos. Abandonou o emprego, saiu de Melbourne, sua cidade de origem, e foi tocar piano nas ruas de Byron Bay, um dos redutos hippies e praianos da Austrália. 

“Eu só sabia que era algo que precisava tentar ou ficaria muito triste. Já estava triste porque sabia que não estava me empenhando como gostaria no trabalho. E tinha medo de continuar aquela vida e um dia olhar para trás sem saber como seria se não tivesse tentado. Então, uma noite depois do trabalho, disse que não queria mais e larguei o emprego”, conta a artista, que conversou com o Blog n’ Roll por telefone. 

Rodando o mundo

A estratégia funcionou. Além do mega hit, Tones and I estava pronta para desbravar o mundo. Desbancou grandes estrelas nas paradas norte-americanas e inglesas, foi elogiada por Elton John e fez sua estreia na TV americana, com uma participação no The Tonight Show with Jimmy Fallon.

Apontada como uma das favoritas para o prêmio de Revelação no Grammy, Tones and I produz um eletropop extremamente dançante. E, assim que puder, remarcará seus shows pelos Estados Unidos e Europa.

“Estou feliz, principalmente por poder tocar minha música para as pessoas ao redor do mundo. Isso é tudo para mim. Poder tocar ao vivo para pessoas de vários lugares que conhecem minha música é especial. Nunca disse que queria ser famosa, mas queria poder fazer performances ao vivo para as pessoas ouvirem. Essa foi a maior mudança da minha vida e é o melhor sentimento do mundo”.

Tones and I não quer letras fúteis

É curioso ressaltar que Dance Monkey tem um significado diferente do que parece. A canção traz uma reflexão sobre a expectativa do público ao artista. A cantora chegou a declarar que se sentia assim nas ruas de Byron Bay. Se a música fosse bem aceita, viria pedidos por mais. Caso contrário, os olhos voltariam para os celulares.

“Acho que é importante refletir sobre essas coisas. Hoje em dia a maioria das músicas só fala sobre ser rico e beber drinques caros, ou então balançar a bunda… Eu não quero cantar sobre essas coisas porque realmente não ligo para elas. Só quero poder falar sobre coisas que me importo, porque acredito que posso passar uma mensagem para essa nova geração. Acho que a atual geração já começou a mudar o mundo”.

Tones and I

Para Tones and I, o artista precisa ser verdadeiro e coerente com as coisas que acredita. Justamente por isso que suas músicas têm um direcionamento diferente. Tal como podemos observar em Johnny Run Away e The Kids Are Coming.

“Acho que é importante para um artista entender o que importa para ele e se apegar a isso na hora de compor. Não acho que todos precisam falar sobre aquecimento global se eles não acreditam verdadeiramente no assunto. Não acho que devem fazer coisas que não os deixam confortáveis. Se eles gostam de falar sobre esses assuntos, acho ótimo, mas se não se importam, não acho que devam se obrigar a isso”.

Próximos passos

A pandemia também atrasou o lançamento do primeiro álbum da australiana, mas novidades não devem demorar a surgir. O single mais recente é Ur So F**king Cool. A faixa, divulgada em maio, conta com clipe estrelado por ela mesma, mostrando as diversas facetas de personas e aborda aceitação e autoimagem.

“Ia lançar meu primeiro álbum no início desse mês, mas teve essa situação do lockdown, então tentei concentrar meu trabalho em ainda mais músicas, e deixar meu álbum o melhor possível. Tive a oportunidade de aproveitar todo o tempo livre para focar no álbum, que devo lançar em breve”.

Confira abaixo um pouco mais da nossa conversa com Tones and I

Sucesso de Dance Monkey

Não imaginava nem que essa música seria tocada nas rádios da Austrália. Quando lancei, não imaginei ela sendo tocada nem mesmo em rádios pequenas. Achei que seria uma música boa para ser tocada ao vivo, nas ruas. Quando ela se tornou um hit, foi muito louco, porque nunca imaginei lançar um hit na minha vida.

Segredo para um hit

Não faço ideia. Me perguntam muito isso, e eu sempre acabo refletindo. Eu não sabia que minha voz era especial como as pessoas dizem. Acho que pode ter sido tanto a voz, quanto a melodia, ou até mesmo as batidas. Eu escrevi a música para um amigo meu poder dançar. 

Críticas ao Tik Tok

Eu não odeio o aplicativo, até tenho ele. Eu só não o conhecia quando minha música começou a ser popularizada por ele. Acho que atualmente entendo melhor sobre isso, e acabei concluindo que no fim do dia, se você criar uma música dançante, ela vai bombar nas paradas. Então, não importa se as pessoas vão ouvir sua música pelo Tik Tok, pelo Spotify, ou até pelo rádio. São formas que as músicas têm para bombar, e aconteceu com a minha música. Tudo certo (risos).

Sonho na música

Sempre sonhei em me apresentar ao vivo. Eu não ligo para as paradas musicais, nem sabia que isso ainda existia até começar a lançar minhas músicas. Sempre sonhei com as apresentações, e foi por isso que comecei a tocar nas ruas. Sempre coloquei muito esforço em aprimorar meus shows ao vivo, então esse é meu sonho.

Brasil

Sim! Eu sei disso (que os fãs brasileiros são empolgados). Estava tão empolgada porque eu ia tocar no Lollapalooza deste ano. Já ouvi muitos artistas falando sobre como é se apresentar no Brasil, então estava realmente muito animada. Certamente vou remarcar esse show para poder tocar aí o quanto antes.

Música brasileira

Eu conheço a base da música brasileira, mas não conheço nenhum artista. Provavelmente conheço alguma música, mas não lembro.

*Texto e entrevista por Caíque Stiva e Lucas Krempel

Comentários

Comentários