Entrevista | Julio Igrejas: “A música tem um poder transformador”

A banda gaúcha Julio Igrejas foi criada em dezembro de 1995. Entretanto foi apenas em 1997 que fez seu primeiro show e gravou sua primeira fita demo. Em resumo, 1996 foi destinado para a criação de músicas, ensaios e testes de formação.

“Nessa época era muito difícil gravar músicas, ao contrário de hoje, que praticamente todo mundo consegue gravar em casa e com qualidade muito boa”, diz o vocalista, Christian Satã.

Duas décadas é muito tempo, e de lá pra cá, muitas coisas mudaram no cenário musical. Desde a tecnologia ao marketing de divulgação, e para Christian a segunda é a mais significativa.

“O final dos 1990 e o início dos anos 2000 foram maravilhosos para o cenário underground, nessa época tínhamos shows sempre lotados e um público muito sedento por novidade, o que nos dias atuais infelizmente não acontece”, comenta.

“Entre as mudanças mais significativas colocaria a forma como a música é divulgada. Nós começamos com a fita cassete Demo Ska Punk (1997), passamos pelo CD-r caseiro, Músicas de Amor (2002), pelo CD-r industrial, Perfil (2006), pelo CD prensado, Descongelando Corações (2014) e chegamos à era digital com O Último Álbum (2019)”, completa.

Além de Christan Satã (guitarra e vocal), a banda também conta com o talento de Luan Sanchotene (baixo e vocais) e Arthur Pitt (bateria).

A era digital e O Último Álbum

A princípio o nome O Último Álbum foi dado ao CD porque, provavelmente, será o último álbum lançado em mídia física.

“Logo após o lançamento do Descongelando Corações, começamos a compor músicas novas para o próximo trabalho”, comenta o vocalista.

Entretanto, durante o processo criativo, a banda passou por uma troca de baterista, fazendo com que oito músicas fossem arquivadas.

“Depois que o baterista novo estava completamente entrosado com a banda, começamos a trabalhar naquelas oito músicas e mais algumas novas. Em 2018 entramos em estúdio para gravar as 15 músicas que estão no CD”.

Além da primeira explicação para o nome do álbum, há mais uma, segundo Christian. “Decidimos fazê-lo como se fosse última coisa das nossas vidas, ou seja, com uma dedicação total”.

Ska Punk Talk Show na quarentena

Ska Punk Talk Show nasceu de uma brincadeira do Rafael e o Giordano, da banda Estragonoff. Antes do início da pandemia as bandas estavam preparando um show conjunto. “Queríamos fazer um evento diferente, tínhamos várias ideias”, diz Satã.

Neste ínterim, veio a pandemia e o show foi adiado, mas eles não desistiram de trabalhar juntos. Então combinaram de fazer uma live em conjunto, que seria conduzida por Christian.

“A ideia inicial era uma hora com cada um. Mas o papo rendeu, pessoal que estava acompanhando curtiu muito e acabamos fazendo duas horas com cada, totalizando quatro horas de live”.

Infelizmente a primeira hora da live não foi gravada, entretanto um amigo percebeu e logo após gravou as horas que sucederam, se tornando o responsável pela captação e edição do programa.

“Se não fosse ele, Ska Punk Talk Show seria só uma live pra quem viu na hora”.

Devido à propagação do novo coronavírus, outros trabalhos da banda também precisaram de adaptação.

Julio Igrejas no Juntos Pela Vila Gilda

“Eu acredito que a função mais importante de uma banda é participar de ações sociais, tanto que sempre que somos convidados a participar de eventos como o Juntos Pela Vila Gilda, fazemos questão de nos envolvermos”.

“Ter a possibilidade de ajudar pessoas que passam por necessidades é o mínimo que podemos fazer. A gente sempre tenta passar a ideia de alegria e de amor. Acredita que a música tem um poder transformador”, finaliza.

Por fim, a banda decidiu fazer surpresa e não revelar o nome das músicas que irão apresentar, mas deixaram o spoiler: são duas músicas d’O Último Álbum.

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