Entrevista | Zebra Zebra: “O artista tem sensibilidade para transformar o mundo”

Avenida Paulista Aberta - Zebra Zebra -14/05/2017 - Foto: Roberta Garcia

Parte do lineup do Juntos Pela Vila Gilda, a Zebra Zebra não se reúne presencialmente desde o começo do ano, devido à pandemia. Os membros estão seguindo rigorosamente às orientações da OMS. Paralelamente, a banda também passa por uma mudança de formação, já que o guitarrista Eric foi morar no Canadá.

Cada integrante tem produzido e gravado remotamente, experimentando a captação feita em casa pelo celular. Isso inclui um projeto paralelo chamado MAPA: Música Atemporal Para Aliviar, com intuito de passar mensagens positivas e fazer as pessoas se sentirem bem durante a quarentena através da música, em versões cover. O projeto é de integrantes da banda com outros artistas.

O último lançamento oficial da banda foi o single Regra, Sermão e Temaki, de 2016. O single sucessor precisou ser “modificado” por conta da pandemia. Segundo o vocalista Kennedy Lui, tiveram que readaptar a ideia do lançamento de um clipe inédito. “Estamos no processo de finalização, acredito que esteja 70% pronto”.

Lições da pandemia e o futuro do mundo

Entre as lições da pandemia, o vocalista cita que “o ser humano precisa se compreender melhor, já que essa [pandemia] é uma resposta do meio ambiente para a nossa ação humana desregrada. Com a pandemia, aprendemos a diferenciar quem está de fato disposto a pensar no coletivo e quem só pensa no individual”.

Segundo ele, isso se aplica à classe artística também: “o artista tem uma sensibilidade maior para transformar o mundo em um lugar melhor, seja por reflexão ou entregando alegria por meio de músicas felizes”.

Kenney, inclusive, reclama da falta de noção de alguns músicos, principalmente da cena mainstream, em meio ao isolamento social. “São artistas cheios de dinheiro já, querendo fazer live sem necessidade. Outros nem ganham nada. Fazem a live no condomínio só por fama”, explica.

Para o artista, não existe um ‘protocolo respeitado’ sem o confinamento e testagem de vírus de todos os integrantes e pessoas envolvidas na produção de uma live.

Sobre o futuro, Kennedy imagina uma reestruturação de espaços públicos, com provas de que os ambientes culturais, especialmente bares e teatros, estejam bem higienizados e esterilizados. “Para que as pessoas se sintam mais confortáveis e cuidadas em um evento”, contou.

Críticas políticas

No Carnaval de 2019, a Zebra Zebra lançou o clipe de uma marchinha, intitulada Marchinha do Laranja. Ela fazia uma crítica ao ex-assessor de Flávio Bolsonaro, Fabrício Queiroz.

A música teve uma altíssima repercussão durante o carnaval, mas a banda sentiu um impacto: os seguidores que apoiavam o Bolsonaro diminuíram, mas Kennedy garante que o acontecimento foi positivo. “Estamos num momento que a banda não compactua com nenhuma ideia que ele tenha, então fico até feliz que essas pessoas saíram da nossa vida”, contou Kennedy.

Esse ano, a banda lançou a Marchinha da Fartura, que era uma crítica ao esquema de rachadinha de Flávio Bolsonaro. Porém, segundo o vocalista, a música não obteve tanto sucesso por também criticar o governo PT.

Juntos Pelo Vila Gilda

Para a Zebra Zebra, existe o desafio de ter a saída de um integrante e não conseguir ensaiar com o novo membro. Mas isso não atrapalhará o evento: “o convite foi muito agradável, estamos preparando a releitura de uma música do nosso primeiro disco, e se tivermos tempo entregaremos também uma música inédita especial para a live”, conta o músico.

Segundo ele, é ótimo ajudar da maneira que eles fazem melhor, que é tocando, por uma causa que é fundamental. “Acho maravilhosa a iniciativa, é um marco histórico dentro da música da nossa região, estou muito feliz de fazer parte disso”.

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