Entrevista | Fauves – “Estamos todos ficando malucos em casa”

Bandas com mesmo nome não é algo tão incomum no mundo da música. Fauves, por exemplo, existe uma na Austrália, outra na Escócia. A escocesa é mais recente, surgiu em 2017, enquanto a homônima está na ativa desde 1988. No entanto, quem tem chamado mais a atenção nos últimos tempos é a novata.

Oriunda de Glasgow, a Fauves escocesa é mais calcada no indie pop, mas mistura elementos de funk, soul e jazz. Eles são reconhecidos por seu som e obras de arte únicos, com o nome de Fauvism, um movimento de arte francês do início do século 20 que utilizava formas e cores vibrantes.

Três dos seis integrantes da Fauves conversaram com A Tribuna, via Zoom, aplicativo de chamada de vídeo. Ryan Caldwell, Ciaran Devlin, Rory Bradley foram os escolhidos.

“Acho que não pensamos nisso inicialmente (fazer música relacionada ao fauvismo, estilo de arte). Acho que fazer um som vibrante como a arte foi algo que aconteceu naturalmente por coincidência. Eu diria que é um fato acidental e muito positivo”, comenta Ryan.

Sonoridade diferente

Com uma sonoridade tão eclética, a banda acaba sendo associada a diversos nomes distintos. A lista vai do MGMT e Metronomy e segue até Tame Impala e Unknown Mortal Orchestra. Mas as comparações não incomodam. Questionados sobre isso, os três responderam de forma simultânea: “Absolutamente não, nem um pouco”.

“São bandas que até hoje são influências na nossa música. Eu, particularmente, sou muito fã dessas bandas, assim como pego influências de Nile Rodgers, e muitos outros artistas”, explica Ciaran.

A Fauves ainda não tem um álbum cheio lançado, mas já divulgou alguns singles, que conquistaram números interessantes nas plataformas de streaming. O mais recente deles foi Wither Away, divulgado em abril.

“Esses singles eram para fazer parte de um EP, inicialmente. Ainda estamos avaliando se essas músicas soam melhor separadas ou se elas se completam. Mas ainda temos nossos segredos para um futuro próximo. Nada que possamos falar neste momento”, adianta Rory.

Sobre a repercussão imediata no Reino Unido, os músicos acreditam que o trunfo está na variedade sonora. “Nós somos uma banda que junta alguns estilos. E acho que misturar os ritmos e mesmo assim conseguir um som atrativo é algo que atrai os fãs. Talvez pode considerar nosso diferencial”.

Em tempos de isolamento social, os músicos afirmam que têm respeitado a quarentena para conter o vírus. “Estamos ficando em casa, lavando as mãos, ou seja, seguindo todas as orientações”, adianta Ryan.

Rory foi na mesma linha: “Não estamos vendo um ao outro, nem mesmo nossos familiares podemos ver”. Mas Ciaran espera que a situação se resolva logo. “Estamos todos ficando malucos em casa (risos). Não vejo a hora de poder voltar a fazer música com os rapazes e voltar a tocar para os fãs”.

Fauves não para na produção

Mas engana-se quem pensa que a quarentena interrompeu a produção dos integrantes. “Estamos tentando finalizar algumas músicas, e estamos quase lá. Temos muita lição de casa”, completa Ryan, aos risos.

Uma coisa para eles é certa. Quando acabar a pandemia (ou ao menos reduzir as restrições), eles querem vir ao Brasil.

“Nós adoraríamos tocar por aí. Assim que as coisas voltarem para os eixos, vamos começar a planejar novos shows, ganhar dinheiro e colocar o Brasil na nossa rota. Pode ter certeza”, diz Ryan.

Ciaran vai além: “conheço os estilos latinos mais clássicos, como Bossa Nova, mas nada muito contemporâneo. Depois passa uma listinha para a gente poder acompanhar novos artistas do Brasil”, diz aos risos.

*Texto e entrevista por Lucas Krempel e Caíque Stiva

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