Entrevista | Enter Shikari – “prefiro estar ao lado da inovação do que estagnação”

A banda inglesa Enter Shikari estava prestes a iniciar uma excursão para divulgar o sexto álbum de estúdio, Nothing Is True & Everything Is Possible, quando foi surpreendida com a pandemia do novo coronavírus.

Gravado ao longo de 2019, o disco chegou às plataformas de streaming em abril passado. As sessões foram realizadas em vários estúdios pelo mundo, enquanto excursionavam.

“Foi o primeiro álbum que produzi sozinho, por isso deu muito trabalho, principalmente porque é um corpo de trabalho tão diverso e detalhado”, comenta o vocalista e produtor do disco, Rou Reynolds.

Por mais que mantenha mais de 650 mil seguidores no Facebook, os músicos buscam um contato ainda mais intimista com os fãs. Para isso, eles utilizam o WhatsApp.

“É uma lista de transmissão. Portanto, podemos enviar atualizações para milhares de fãs com o clique de um botão. Acho que as pessoas gostaram de receber informações diretas no telefone”, explica Reynolds.

Enter Shikari na pandemia

Mesmo reconhecendo o momento difícil por conta da pandemia, o vocalista afirma que está muito satisfeito com a paixão e determinação dos fãs.

“Eles ainda conseguiram divulgar esse álbum em todo o mundo. Foi como uma campanha de propaganda boca a boca da velha escola, que geralmente é a melhor maneira de divulgar e descobrir novas músicas”.

Reynolds brinca que a influência da música eletrônica no som da banda foi o que o separou dos outros colegas.

“Tive a sorte de crescer em torno de todos os tipos de música e de bom grado absorvi tudo. Portanto, quando comecei a escrever, a música saiu naturalmente eclética e aparentemente ousada. Muitos puristas odiavam o que estávamos fazendo, mas eu preferia estar do lado da inovação do que da estagnação”.

Falando sobre a convivência com os outros integrantes, o vocalista afirma que os músicos têm uma visão compartilhada e que raramente existem argumentos sobre para qual direção o grupo deve seguir.

“Como temos papéis bem definidos, não há batalhas pelo poder. Sempre tivemos a mesma equipe de gerenciamento e de estrada. É uma atmosfera familiar, então todos cuidamos um do outro e somos rápidos em dar um tapa em qualquer um de nós de volta à terra, se o nosso ego começar a crescer demais”.

Apaixonado por samba, bossa nova e Sepultura, Reynolds não vê a hora de conhecer o Brasil com o Enter Shikari.

“Sempre quisemos tocar no Brasil e em toda a América do Sul, mas infelizmente ainda não conseguimos. Nossos dedos estão perpetuamente cruzados”.

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