Entrevista | Barrie-James – “Foi emoção, fracasso e persistência”

O cantor e compositor escocês Barrie-James, de 32 anos, viveu bons e maus momentos nos últimos dez anos. Surgiu como integrante da banda folk Kassidy, embalou um relacionamento com Lana Del Rey, no qual acabou colaborando com as letras de faixas como Brooklyn Baby e Black Beauty, mas mudou completamente o estilo após o término do namoro.

Agora, ele divulga o segundo álbum solo de estúdio, Psychedelic Soup, sucessor de Cold Coffee. Gravado em Los Angeles, o álbum traz um pouco do alt-rock com alma e funk do músico, que carrega influências de Frank Zappa, Elliot Smith e Jeff Buckley.

Em entrevista para o Blog n’ Roll via Zoom, Barrie-James disse que o processo de gravação de Psychedelic Soup foi muito longo, aproximadamente quatro anos de preparação.

“Comecei esse álbum no verão de 2016, mas não tenho trabalhado semanalmente nele desde 2016. Foram períodos de gravação, pausas longas, consultas com amigos. Fui transmitindo minhas emoções para o álbum desde 2016. Em comparação ao primeiro álbum, os sons eram mais orgânicos antes. Neste álbum, gastei um ano trabalhando em apenas uma linha de uma canção. Foi uma experiência de emoção, fracasso e persistência. Esse álbum tem muito mais elementos, mais cores, mais melodia, mais seriedade. Tem música boa para dançar, mas ao mesmo tempo é muito sério”.

Barrie-James na pandemia

Sem poder divulgar o seu novo álbum com shows, Barrie-James acredita que se “as pessoas tivessem sido avisadas antes dos perigos, não teriam bares, festas, shows, nem nada do tipo há um bom tempo”.

“Acho que as pessoas devem ser encorajadas a superar tudo isso. Eu sempre fui uma pessoa reclusa, então não é muito estranho para mim, porque sempre estive em casa”.

Apesar disso, o escocês quer conhecer o Brasil em breve. “Ano que vem espero poder ir até aí fazer alguns shows”.

Confira abaixo outros assuntos conversados com Barrie-James durante a nossa conversa com o cantor e compositor.

Início nas composições

Eu comecei a escrever com 11 anos, por causa do meu amigo Martin. Ele era de uma banda, mas ela acabou e ele veio conversar comigo, dizendo que eu era muito bom com palavras, e que eu devia cantar com ele em um duo.

Desde os meus sete anos gostava de imitar pessoas, tipo o Liam Gallagher, do Oasis. Ou seja, eu gostava de cantar, mas preferia ser comediante. Eu queria fazer as pessoas rirem.

Mas, aos 11 eu comecei a aprender guitarra, e conforme o tempo foi passando, eu fui tentando melhorar musicalmente, criar músicas.

No começo, porém, demorou um pouco para eu compor boas músicas, porque como era muito jovem, trocava palavras de músicas que eu conhecia e dizia que eram minhas (risos). Foi um processo longo.

Oficialmente, eu toco guitarra desde os 11 e escrevo desde os 12. É algo que precisa ser praticado todos os dias e você precisa realmente querer trabalhar com isso para poder manter o entusiasmo e seguir em frente.

Motivação diária de Barrie-James

Eu diria que a gente precisa seguir o que ama nessa vida. No meu caso, eu amo a música. Eu ouço música nos meus ouvidos o dia inteiro, até quando os fones estão desligados. Sempre tenho uma música grudada na cabeça, que me faz sentir bem e me dá uma razão para estar vivo. Isso depende de pessoa para pessoa, claro. Cada um tem sua própria motivação. Para mim é música e sempre será musica. Amo ouvir meus amigos tocando, amo descobrir novos artistas. Me faz sentir muito bem.

Melhor memória

Tenho muitas, definitivamente. Eu amo minhas memórias de um festival que tinha no passado na Escócia. Minha primeira banda tocou lá em 2010, se não me engano. Quanto tocamos nesse festival, havia câmeras transmitindo o show ao vivo, e isso me marcou muito. Foi um choque, porque não tinha como estragar tudo.

E, curiosamente, alguns amigos estavam nos ajudando nos bastidores, e eu tenho uma memória engraçada de um dos meus amigos me entregando minha guitarra, mas ele não sabia afinar o instrumento. Então, na primeira música, minha guitarra estava completamente fora de tom enquanto tocávamos para muita gente. Tinha outros três guitarristas na banda, então eu parei de tocar até a próxima música, quando eu comecei a enrolar o público para poder ter tempo de ajustar tudo. Não foi engraçado no dia, mas hoje eu dou risada.

Evolução pessoal de Barrie-James

Foram quatro anos de trabalho, e os mesmos quatro anos desde o primeiro álbum. Eu amadureci muito como pessoa, claramente. Ganhei muita experiência de vida. Acho que hoje minha mente é muito mais aberta para novos estilos musicais. Não importa o estilo musical, nem quem produz. Se é música boa, eu gosto.

Texto e entrevista por Caíque Stiva e Lucas Krempel

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