Crítica | Eu Nunca… tem até Andy Samberg

Produzida por Mindy Kaling (Kelly Kapoor em The Office), Eu Nunca… é a mais recém chegada no catálogo de séries na Netflix. Com participação especial de Andy Samberg (Jake em Brooklyn Nine-Nine) e narração hilária do tenista John McEnroe, conta a história de Devi, uma adolescente disposta a superar o passado traumático.

Maquiando o passado

Com o início do 2º ano no colégio, Devi (Maiteyi Ramakrishnan) está disposta a ser tornar uma garota descolada e popular, afim de esquecer o ano mais traumático de sua vida.  

Apaixonada pelo aluno mais bonito da escola, Devi se dispõe a conquistar Paxton (Darren Barnet), atleta da equipe de natação que se mostra fútil, mas adiante revela o lado superprotetor com sua irmã que possui síndrome de down. 

Por querer assumir uma personalidade que não lhe convém e por ter uma mãe que segue à risca a cultura indiana, começa a se enrolar em suas mentiras, tornando-as irreversíveis e comprometendo seu relacionamento com suas amigas, família e amor. 

Sem filtro para problemas

A série destaca também os coadjuvantes. Kamala (Richa Moorjani), prima de Devi, enfrenta o dilema de aceitar um casamento arranjado por seus pais para não decepcioná-los, ou ter sua felicidade baseada em seus próprios valores.

As duas melhores amigas de Dave também enfrentam problemas pessoais. Eleanor (Ramona Young) é atriz, e lida com o abandono de sua mãe. Fabíola (Lee Rodriguez) se descobre gay, trazendo a insegurança da personagem a aceitar a orientação sexual e a dificuldade para revelar para os pais. 

Ganha destaque também Ben (Jaren Lewsion), arquirrival de Devi no colégio. Dan é um personagem egocêntrico, não possui amigos, ignorado pelos pais que sempre estão trabalhando. Rico de dinheiro e pobre de amor. 

Por último temos Nalini (Poorna Jagannathan), mãe de Devi. Compartilhando da mesma perda de Devi, mostra-se rígida. Por sentir falta de apoio, acredita que não deve demonstrar fraqueza, e que esse comportamento é que vai fazer a vida continuar normal mesmo após a morte de seu marido. 

De volta ao personagem

Decidida a enfrentar suas mentiras, desconstrói metade de seus traumas e reconcilia-se com a família. Com apenas dez episódios de 20 minutos, a série que já vem sendo comparada com Sex Education, tem final aberto. Vem 2° temporada aí? 

Por que Eu Nunca… é diferente de outras séries

Mesmo com todas características de série adolescente, Eu Nunca… vai além de uma comédia dramática adolescente.

Elucida os problemas sem tabu, fala abertamente sobre sexo. Mesmo com muitos palavrões, não perde a inocência dos personagens. Problemas reais apresentados sem filtro. É uma chuva de representatividade, fazendo com que o espectador se enxergue na tela. São problemas fictícios que trabalham emoções reais.

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