Crítica: Djonga taca fogo na madrugada santista, com show no Valongo

Cantar junto, bater cabeça e muita euforia com a presença do rapper Djonga em Santos na madrugada de domingo (3), no Arcos do Valongo. O público foi à loucura quando o artista subiu no palco ao som da música Hat-Trick, de seu mais recente álbum, Ladrão (2019). O refrão “abram alas pro rei” ecoou no local, às 4h27, no evento Não Mete o Loco!  

A escolha demonstrou como seria o show dali pra frente: se Djonga quisesse, nem precisava cantar as músicas, a plateia fazia isso por ele. Bené seguiu o repertório do disco. Depois, Junho de 94, do álbum O Menino Que Queria Ser Deus (2018), abriu caminho para músicas do seu trabalho anterior, como a faixa Solto.  

Entre as músicas, Djonga interagia com o público, pegava os celulares dos fãs para tirar selfie, pedia para abrir a roda porque “queria ver o bate cabeça” e o pedido era acatado. Muito animado, conversava bastante.

Leal e Tipo deram ao show um clima mais romântico. Era possível ver casais abraçados cantando junto. A música Ladrão retomou a pegada de crítica social com uma pitada de autoestima.

O ápice

UFA (2018) deixou a plateia fazer “aquele flow, aquele flow, aquele flow”, como pontua a letra. A última escolha foi certeira: Olho de Tigre (2017). Todo mundo empolgado para cantar “sensação sensacional! Firma, firma, firma? Fogo nos racistas”.

Segundos antes, a plateia gritava para que Bolsonaro tomasse naquele lugar, e Djonga mandou um papo: a próxima vez que ele tentar se eleger, ou alguém da família dele, eu não quero que vocês deixem ele ganhar”. E pediu para soltar Olho de Tigre. Ele prolongou a música original, se jogou na plateia e quando terminou, deu apenas um “boa noite” e saiu do palco.

A apresentação durou cerca de 40 minutos. Muito requisitado, foi pego pelo público. Resumo: empurra-empurra para chegar até o artista. Ele tirou foto com os fãs, teve gente que chorou. Foi seguido até a van, quando conseguiu se despedir de Santos, já no amanhecer, por volta das 5h30. 

O Rapper

Djonga é uma das referências do rap nacional atualmente, diferenciado pela sua forma de abordar as questões raciais. Seu primeiro trabalho solo foi Heresia (2017), seguido por O Menino Que Queria Ser Deus (2018) e Ladrão (2019). É uma das atrações do Lollapalooza 2020.

Nesta segunda-feira (4), divulgou a faixa Recadin pros Falador. Sente o peso!

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