Caso Sulli: Existe um lado nada colorido no K-Pop

[Aviso de gatilho]

Quando falamos sobre K-Pop a primeira lembrança que vem em nossa mente é um grupo de jovens usando roupas coloridas e dançando uma música animada. Mas, o que muitos não sabem, é que essa alegria toda que é transmitida na estética não alcança grande parte dos artistas do gênero. Pelo contrário, o meio do K-Pop é um cenário nada colorido.

Na última segunda-feira (14), a cantora e atriz Sulli, ex-integrante do grupo feminino F(x), foi encontrada morta dentro de sua casa, na Coreia do Sul. Com apenas 25 anos, ela é mais uma vítima da depressão e de comentários maldosos feitos na internet.

Bullying

Sulli começou sua carreira no meio do entretenimento em 2005 e ganhou mais destaque na mídia em 2009, quando debutou no quinteto F(x).

Por ter uma personalidade marcante e não ter receio de se manifestar a favor de causas “polêmicas” como liberdade feminina e aborto, Sulli sempre foi alvo de comentários maldosos online. A situação ficou ainda mais complicada quando ela participou de um filme, em 2017, onde realizou cenas de nudez e, por isso, foi muito criticada pela sociedade coreana.

Os haters surgiam em todos os lugares, independentemente do que Sulli fazia ou falava. Durante uma live no Instagram, a cantora chegou a questionar o que teria feito de tão ruim para receber tanto ódio.

O caso é tão extremo que mesmo após sua morte, comentários de ódio ainda aparecem pela internet. Um usuário anônimo comentou “devia ter morrido mais cedo” em uma postagem que informava sobre o falecimento da artista.

Ela não é a única

Casos de ansiedade e depressão no meio do K-Pop têm aparecido na mídia com mais frequência.

Suga, rapper do BTS, já falou abertamente sobre sua depressão e, recentemente, Mina precisou se afastar das atividades do Twice por causa de crises fortes de ansiedade.

No último ano ocorreram as mortes de Minwoo, líder do grupo 100%, e Dongyoo, de 20 anos, integrante do Spectrum. Ambas suspeitas de suicídio (não confirmado pela polícia).

Além deles, o caso mais comentado pela mídia mundial foi o do cantor Jonghyun, do grupo Shinee, que cometeu suicídio em dezembro de 2017.

Até quando?

Aqui deixo um desabafo pessoal, como uma fã do gênero.

Será que são necessários acontecimentos tão tristes como esses para que as pessoas comecem a entender que esses artistas são seres humanos e precisam ser ouvidos e respeitados? A própria Sulli já havia dado muitos sinais de sua depressão e chegou a falar sobre “dar um fim nisso tudo” no MV de Goblin, lançado em junho deste ano.

Até quando problemas psicológicos serão tratados como tabu? Até quando as agências vão lidar com os artistas como se fossem suas propriedades? Até quando todos vão sofrer com a insana pressão estética? Até quando todos vão achar que tem o direito de dizer palavras de ódio ao próximo só porque estão escondidos atrás de uma tela?

A sociedade precisa de mais empatia e, definitivamente, precisa mudar.

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