Lizzo: ícone da representatividade na música

Se você estava em busca de um ícone empoderado e autêntico para adorar, Lizzo é a alternativa correta. A cantora mergulha na diversidade musical com extrema facilidade, como se a criatividade fluísse em suas veias. Mais do que talento artístico, ela dá voz às diversas lutas feministas. Tudo isso com a ousadia de ser quem ela é.

Melissa Viviane Jefferson, mais conhecida como Lizzo, tem 31 anos. Nascida em Houston e criada em Detroit, dois berços musicais dos EUA, começou na música ainda adolescente.

Antes da carreira solo, trabalhou em grupos de diferentes ritmos. Seu início foi no rap, como parte do grupo Alief. Aos 14, criou seu próprio grupo com suas melhores amigas, chamado Cornrow Clique. Em 2011, quando morou em Minneapolis, fez parte de grupos indie, um duo electro soul-pop chamado Lizzo & The Larva Ink e do grupo de R&B The Chalice.

Pouco tempo depois, estava preparada para lançar sua própria carreira. Lizzobangers (2013), sua estreia solo, ainda focava no hip hop. O trabalho rendeu notoriedade nacional, tornando-a parte da lista de artistas para acompanhar em 2014 da revista Time.

Sua primeira aparição televisiva foi no Late Show with David Letterman, como atração musical principal. Ao mesmo tempo, embarcava em um projeto valioso. Junto às colegas do Chalice, trabalhou em uma faixa do álbum Plectrumelectrum (2014), de Prince. Em entrevista à Fuse, a artista assumiu que foi algo impossível de superar, “quase como um conto de fadas”.

Identidade e amor próprio

Com seu segundo lançamento, Lizzo focou na representatividade e positividade sobre o próprio corpo. Big Grrrl Small World (2015) traz a diversidade como mantra, advogando pelo direito de ser quem você é.

Pessoal e político possuem uma relação intrínseca no disco. A cantora vai além das aparências ao contestar a falta de igualdade. Entre Humanize e The Realest, há um universo de interpretações possíveis e muitas críticas.

My Skin traz reflexões sobre raça, outro tema que impacta diretamente na vida da artista. O protagonismo da mulher negra no rap e hip hop tem aumentado, porém, ao investir em uma melodia puxada para o pop neste diálogo, Lizzo desafia os lugares de fala. Ela começa com uma introdução poderosa:

Aprender a amar a si mesma e aprender a amar seu corpo é uma jornada que sinto que toda pessoa, mas mais especificamente, mulher, precisa passar. Então eu sinto que fazer isso é uma boa maneira de atravessar e fechar o último capítulo de ‘aprendendo a amar’ para apenas amar…

Outro detalhe importante de ser percebido é a relação de Lizzo com seu cabelo. Em entrevistas, a artista comenta que possui duas identidades: uma como Melissa, outra como Lizzo. Enquanto uma assume seu cabelo natural, afro, com total poder e significado, a outra ressignifica os estilos comuns entre cantoras pop brancas. O mais importante, como afirma constantemente, é sentir-se bem consigo mesma e conseguir se ver ao olhar no espelho.

“Uma ode ao bem estar”

Em 2016, lançou Coconut Oil, seu primeiro EP. Com seis canções, o álbum testou diferentes sonoridades e demonstra a versatilidade da artista. Sua composição é aberta a várias influências musicais, como R&B, gospel, rock, dance, rap, entre outras.

O estilo vocal varia entre as faixas. Em algumas canções, lança seus versos em freestyle. Canções como Scuse Me e Phone trazem facetas mais espontâneas e alegres, apoiadas em um vocal . Outras, mais melódicas, contam com apoio da flauta, como na faixa Good as Hell.

O empoderamento também é um dos temas centrais neste trabalho. No EP, Lizzo narra sua jornada pela auto-aceitação e confiança. O trabalho é dedicado às mulheres negras, buscando sororidade feminina e otimismo na luta contra o preconceito.

Seu papel nas discussões de gênero é fundamental para trazer luz à inclusão de modelos plus-size nas indústrias da moda e entretenimento. Em entrevista à Rolling Stone, a cantora afirma ainda não ter alcançado seus objetivos, mas que está no caminho. “Ainda não cheguei lá, mas estou criando música para que eu chegue”.

A ousadia de Lizzo reside nos contextos e inferências. Cantando trap em igrejas, com imagens remetendo às deusas de padrão europeu da antiguidade, ela quebra o conservadorismo. Na letra, ainda percebemos ambiguidades valiosas. Todo o discurso, visual e linguístico, é pensado para promover a reflexão.

(R)evoluções constantes de Lizzo

Com Cuz I Love You (2019), Lizzo demonstra toda sua potência vocal. Logo na faixa título, acompanhada de um clipe extremamente artístico, a cantora solta a voz em meio ao beat constante.

Canções como Fitness e Juice tratam da aceitação, mostrando como tabus sobre peso devem ser deixados de lado. A cantora usa looks estilosos, sensuais e poderosos, assumindo o controle sobre seu próprio corpo. O recado foi dado aos padrões de beleza hegemônicos na indústria, que idealizam a mulher branca, magra e jovem como símbolo sexual.

Em Boys, fala de sexualidade e discriminação, tratando especialmente sobre prazer. Outro forte tabu na vida feminina, considerando a relação temerosa da mídia com a liberdade sexual feminina.

O sucesso internacional começou a bater à porta, e Lizzo mostrou que estava pronta para ele. Sua positividade vibrante a levou a turnês com Haim e Florence + The Machine. Apareceu em programas televisivos como RuPaul’s Drag Race, onde foi jurada da competição.

O lançamento do single Juice, em janeiro, a colocou em evidência nas rádios. A internet a apelidou como a “Meghan Trainor que deu certo”, em alusão à canção All About That Bass, que também falava sobre aceitação.

Com críticas positivas que reconheceram o amplo talento de Lizzo, o álbum teve os melhores resultados em avaliações. Sua evolução contemplou tanto a maturidade vocal quanto um apelo mainstream charmoso e inteligente, evitando muitos clichês de produção.

Apresentou-se no Coachella, Glastonbury, Sacramento Pride e Indy Pride Festivals. Com ampla presença de palco, a cantora trouxe sua verdade às apresentações. Seu grupo de dançarinas, as Big Grrrls, consiste unicamente de dançarinas plus-size. Nos looks, abusa das cores, texturas e cortes, mostrando a necessidade de uma revolução visual e conceitual.

Ativismo e honestidade de Lizzo

Lizzo continua a impressionar quando o assunto é representar. Com a campanha Say It Louder da ModCloth, lançada em 2018, clamou pelo direito à individualidade das celebridades. Como modelos para as futuras gerações, é importante que as artistas assumam um papel realista e responsável sobre sua imagem.

No mesmo mês, fortaleceu seu discurso ao integrar a primeira linha plus-size de roupas esportivas da FIT’s Future of Fashion Runway show. O desfile aconteceu durante um evento LGBTQ na Pride Island, em Nova York.

No vídeo abaixo, ela participa da campanha What’s Underneath, admitindo as dificuldades no caminho da auto-aceitação. Como um trabalho em constante progresso, a artista inspira essa auto-revolução tratando desde seu corpo até seu cabelo.

Ao descobrir sua própria voz, a cantora conseguiu se libertar de suas próprias amarras. O amor próprio veio à porta, trazendo variadas ideias para compor. Quanta inspiração!

Atualização de última hora

A cantora se emocionou nas redes sociais ao anunciar a primeira música da carreira no TOP 10 da Billboard Hot 100. Lizzo já havia sido listada entre os dez melhores álbuns da publicação, mas com Truth Hurts, a artista foi listada pela primeira vez entre as canções do momento.

Também recebeu nesta semana a primeira indicação ao Teen Choice Awards, concorrendo com Truth Hurts na categoria de música do verão e como Artista do Verão.

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