Surra, The Wildhearts, CJ Ramone, Dead Kennedys…

WLAD CRUZ

Escorrendo Pelo Ralo
Surra

Um dos principais nomes do cenário independente santista chega a seu novo disco. Hardcore punk, grindcore, powerviolence e inusitadas passagens pelo samba e pelo reggae compõem o novo disco do trio, que segue usando sua música para transmitir duras criticas sociais. Velocidade e agressividade recheiam faixas que em sua maioria, tem menos de dois minutos de duração e chegam às ruas em digital, CD e LP. Paulada.

Renaissence Men
The Wildhearts

Após dez anos sem gravar um disco de inéditas, os ingleses do Wildhearts retornam com o mesmo vigor de seus álbuns dos anos 1990. Let ‘Em Go, single do álbum que ganhou videoclipe é exemplo disso, clássico instantâneo em sua discografia. Gigantes no Reino Unido e quase desconhecidos no Brasil, a hora é essa para conhecer uma das melhores bandas de hard rock – e de espirito punk – em atividade hoje.

The Holy Spell…
CJ Ramone

Habituê de Santos – o baixista já tocou por aqui três vezes – CJ Ramone apresenta seu quarto disco solo. Aqui além da óbvia verve dos três acordes herdadas dos Ramones, temos ecos folk e country, como na balada Hands of Mine e na elétrica Movin’ On, e até mesmo de hardcore, em There Stands The Glass. Cada vez mais CJ se torna um artista melhor e menos dependente das credenciais de seu sobrenome.

Scatter The Rats
L7

Após uma reunião muito bem sucedida, o L7 dá um passo a frente e apresenta um novo disco de inéditas. Faixas pesadas, algumas bem arrastadas, fazem com que este seja um disco morno, ou ao menos não tão quente como o clássico Bricks Are Heavy (92). Mais próximo dos trabalhos do grupo do final dos anos 1990, o álbum fica devendo um hit, mas tem acertos punk rock, como Garbage Truck ou Stadium West.

Escalating Quickly
Ten Foot Pole

“Se eu nunca mais fizer um disco depois, eu gostaria que as pessoas lembrassem de mim por esse”. Assim falou Ryan Greene, produtor do álbum e também responsável por clássicos do punk noventista como Punk In Drublic do NOFX. O que o Ten Foot Pole entrega neste disco na verdade é uma perda de amarras. Hardcore/punk melódico com teclados oitentistas e pegada mais pop dão o tom do TFP após 15 anos sem inéditas.

DK40
Dead Kennedys

Polêmicas sobre cartazes a parte, este lançamento apresenta três shows completos da banda nos anos 1980, todos com seu vocalista Jello Biafra. Cru e barulhento como não poderia deixar de ser, o registro mostra também uma banda coesa e que tinha uma musicalidade acima da média em seu estilo. Entre discursos sarcásticos e letras contundentes, são três CDs que nos lembram o motivo do DK ser um dos gigantes do hardcore americano.

LOVE&JETT
Guitar Wolf

Lo-fi e barulhento, os japoneses do Guitar Wolf chegam a seu décimo-terceiro álbum da carreira, agora via Third Man Records, selo de Jack White nos EUA. A mistura de punk rock, surf music e garage rock dos anos 60, tudo no volume 11, continua valendo aqui. Este é o primeiro disco do trio com o novo baixista, Gotz. Em tempos de K-Pop, um pouco (muito) de barulho vindo do Oriente faz bem aos ouvidos. Rock chiadeira.

I Am Easy To Find
The National

O National é das bandas mais classudas da safra contemporânea. Sempre prezando pelo bom gosto, o grupo entrega seu melhor álbum desde High Violet (2010). De arranjos delicados, estruturas criativas e melodias inteligentes, o disco sai acompanhado de um curta metragem dirigido por Mike Mills, filme este inspirado no disco, que por sua vez inspira-se em seu roteiro. Indie rock artístico e inteligente.

Flesh And Blood
Whitesnake

Com passaporte carimbado para retornar ao Brasil no segundo semestre para shows, o Whitesnake finalmente lança seu tão adiado novo disco pela Frontiers. Neste rebento o hard rock dá as cartas, mas as boas baladas – marca registrada do grupo – também marcam presença. Ouça Heart Of Stone-, e principalmente When I Think Of You (Color me Blue) e confira. Em 1986 ambas estariam no topo das paradas.

Revelations Of Oblivion
Possessed

Após dois clássicos: Seven Churches (85) e Beyond the Gates (86), e 32 anos sem lançar um disco completo inédito, o Possessed retorna mais blasfemo e agressivo do que nunca. Fiéis a suas raízes death metal, o grupo americano está em plena forma e emplaca o novo disco com uma sonoridade que superou até mesmo os mais otimistas. Jeff Becerra, único remanescente da formação clássica, fez justiça a sua própria história.

Father Of The Bride
Vampire Weekend

Em 2010, o Vampire Weekend surpreendeu o mercado pop com sua mistura de indie rock e afro beat. Quase dez anos depois e apenas dois discos após, o grupo segue algo próximo de sua proposta original, mas sem o frescor de novidade. Canções como This Life tem jeito de hit, mas não devem levar a banda além do nicho indie onde se acomodaram. Na dúvida, prefira o Gracelands do Paul Simon.

Problems
The Get Up Kids

Seguindo a fórmula que os consagrou em discos como Guilt Show e On a Wire, o Get Up Kids não se arrisca e entrega aos fãs exatamente o que eles gostariam de ouvir. Canções emo-rock cheias de guitarras distorcidas e algumas baladas recheiam os quase 40 minutos de música do álbum, transportando o ouvinte de volta à virada do século, época em que ‘emo’ era só um rótulo musical alternativo, e não motivo de chacota popular.

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