“Vocês têm um presidente FDP, mas talvez as coisas melhorem”, diz vocal do Soja

LUCAS KREMPEL E CAÍQUE STIVA

Neste sábado (11), o Estádio do Canindé, em São Paulo, será palco do festival Encontro das Tribos – Mundo Mágico, que reunirá a banda norte-americana Soja, além de expoentes da música brasileira como Pitty, Planet Hemp, Maneva, Rael, Vitor Kley, Rincon Sapiência, entre outros.

Uma das headliners do festival, a banda norte-americana Soldiers of Jah Army, popularmente conhecida como Soja, se sente em casa no Brasil. E não é modo de falar. Aqui, eles possuem o maior público fora dos Estados Unidos. São mais de 3 milhões de fãs brasileiros nas redes sociais.

“Gostamos muito do Brasil. Vocês nos lembram de nós mesmos. São de um país enorme, com um pensamento progressista, mas que tem governantes de merda. Parece muito com os Estados Unidos, honestamente. Mas as pessoas são incríveis, cheias de energia e amam reggae”, comenta o vocalista e guitarrista da Soja, Jacob Hemphill, que conversou com A Tribuna via telefone.

Parceria com Natiruts

E essa ligação com o Brasil se estendeu para a música, claro. Recentemente, Jacob gravou o single Morning com Alexandre Carlo (vocalista da Natiruts), lançado em abril passado.

“Foi ótimo gravar Morning com o Natiruts. Eles são incríveis. São ótimos compositores e fazem um grande som. Estão fazendo muito pelo reggae há anos e fazem muito pelo Brasil também. Gostamos muito deles, então foi ótimo ter essa oportunidade”.

De acordo com Jacob, por enquanto se trata de um single isolado. Não está definido se essa faixa entrará em um disco cheio.

“Estamos pensando em começar a produção de um álbum, mas viajamos tanto que não temos tanta pressa para isso. Talvez fique para algum álbum, mas estamos vendo ainda”.

Na estrada desde 1997, a Soja é um dos nomes mais empolgantes do reggae mundial. No Encontro das Tribos, neste sábado, tocará às 23h50, antes do Planet Hemp e Rael com Rincon Sapiência.

“Nunca é fácil ficar tanto tempo com uma banda, mas a gente se dá muito bem mesmo. Acho que o segredo é sempre estar em um ambiente onde um se importa com o outro. Por isso, é importante sempre que entrar no palco com aquelas pessoas estar se divertindo de verdade, não fingindo”.

Jacob, que também é o compositor da banda, afirma que hoje em dia é muito comum encontrar coisas boas e ruins na indústria da música. E, procura colocar mensagens positivas nas faixas. “Gosto de falar de coisas úteis. Não curto tanto falar sobre dinheiro, sexo, carros… tento focar em coisas que ajudem as pessoas e que elas se identifiquem”.

Esperança no futuro

Mesmo que evite o assunto política nas canções, o vocalista e compositor não deixa de cutucar os presidentes Donald Trump e Jair Bolsonaro. Mas garante que essas mudanças têm algo de positivo.

“Aqui nos Estados Unidos, quando o Donald Trump foi eleito, muitas pessoas disseram minha vida está acabada. Ou o país não tem mais jeito. Porém, a eleição de Trump, de alguma forma, criou uma reação. No ano passado, mais mulheres foram eleitas, nativos foram eleitos, homossexuais foram eleitos… e isso tudo aconteceu por causa do Trump. Foi uma resposta do povo. Aí no Brasil é a mesma coisa. Vocês têm um presidente filho da puta, mas talvez as coisas melhorem a partir das próximas eleições”.

Outras ações do festival

A programação do Encontro das Tribos tem início às 15h, com o encontro de Cidade Verde com Amanajé. Na sequência, sobem ao palco os seguintes artistas: 3030 (16h), Vitor Kley (17h), Mato Seco com Mitchel Brunings (18h), Armandinho (19h10), Pitty (20h20), Ponto de Equilíbrio (21h30), Maneva com Planta e Raiz (22h40).

A reta final do evento, já invandindo a madrugada de domingo, reserva espaço para os headliners: Soja (23h50), Planet Hemp (1h30) e Rael com Rincon Sapiência (2h30).

O próprio lineup já diz tudo sobre o nome do evento. Nomes do RAP, reggae, rock e MPB vão dividir o palco.

A cantora baiana Pitty, inclusive, chega com um disco recém lançado. Matriz, que chegou aos serviços de streaming no fim de abril, é o primeiro trabalho de inéditas da cantora em cinco anos. A expectativa é que muitas das faixas do álbum sejam apresentadas.

Os interessados em curtir o evento ainda podem comprar ingressos. Eles custam entre R$100,00 (pista solidária, com doação de 1Kg de alimento) e R$250,00 (open bar com água, cerveja, refrigerante, vodka e whisky).

O estádio do Canindé fica na Rua Comendador Nestor Pereira, 33, no Canindé, em São Paulo.

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