José Padilha e Enrique Diaz resumem O Mecanismo em trilha sonora

José Padilha reforçou seu posicionamento como apartidário

A trilha sonora da segunda temporada de O Mecanismo, que chegou nesta sexta-feira ao Netflix, chama a atenção do início ao fim. Da abertura com Bezerra da Silva cantando Reunião de Bacana (Se Gritar Pega Ladrão), de Ary do Cavaco e Bebeto Di São João, até as citações de Marco Ruffo (Selton Mello).

A abertura, por sinal, é uma das grandes novidades da produção nacional da Netflix. Junto à trilha, uma seleção de imagens das posses de Fernando Henrique Cardoso, Lula, Michel Temer, José Dirceu, Antonio Palocci, Aécio Neves, Sérgio Cabral, Geraldo Alckmin, entre outros.

Posteriormente, durante sua caça ao doleiro Ibrahim (Enrique Diaz), em Ciudad del Este, no Paraguai, o ex-policial federal comenta um dos gêneros musicais mais populares da nação vizinha.

“Guarania paraguaia… uma das músicas mais chatas do mundo. Só perde para a barulheira do heavy metal americano. O Paraguai é fascinante, a pátria dos camelôs. Não ia tocar Ravel na pátria da sacanagem barata. A gente tem Villa-Lobos, somos a sétima economia do mundo, a nossa sacanagem é fina e muita maior que a deles”.

Com o propósito de seguir essa trilha, perguntamos ao diretor de O Mecanismo, José Padilha, e o intérprete de Ibrahim, Enrique Diaz, quais músicas melhor definem a série e o personagem, respectivamente.

O samba de Ibrahim

Diaz voltou no tempo e lembrou de A Banca do Distinto, samba de Billy Blanco que foi gravado por inúmeros artistas como Elis Regina, Elza Soares, Wanderléa, Teresa Cristina, entre outros.

Antes de comentar a ligação com o seu personagem, cantarolou alguns trechos: “Não fala com pobre, não dá mão a preto, não carrega embrulho, pra que tanta pose, doutor, pra que esse orgulho; Mais alto o coqueiro, maior é o tombo do coco afinal, todo mundo é igual quando a vida termina, com terra em cima e na horizontal“.

“Tem uma espécie de deslocamento do Ibrahim. Pra que isso tudo? Essa opressão, vai todo mundo morrer mesmo. As pessoas servindo o cafezinho, todas oprimidas, mas somos todos iguais”.

Titãs e Bezerra da Silva

Em contrapartida, Padilha lembrou de duas, uma de cada temporada: Bichos Escrotos (primeira) e Reunião de Bacana (segunda).

“A música do Titãs retrata bem a situação. A Lava Jato mostrou isso. Bichos, saiam dos lixos. Baratas me deixem ver suas patas. Ratos entrem nos sapatos. Do cidadão civilizado. Pulgas, que habitam minhas rugas. Oncinha pintada zebrinha listrada. Coelhinho peludo. Vão se foder!

Em resumo, sobre Reunião de Bacana, Padilha ressaltou todo o esquema de corrupção. “É uma festa de gente rica em Brasília, mas com tudo nas nossas custas”.

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