De Grindhouse ao Chemical Brothers, do Inocentes ao Black Alien

WLAD CRUZ

Built In Obsolescence
Grindhouse Hotel

Após shows de peso ao lado de Red Fang e Kadavar, e o lançamento de um vinil 7 polegadas, os paulistanos do Grindhouse Hotel lançam seu disco de estreia e reproduzem em estúdio o esporro sonoro que fazem ao vivo. Stoner rock noventista, algo de nomes como Helmet e Prong, espirito punk, tudo isso junto em 11 faixas pesadas, cantadas em inglês, produzidas por Gabriel Zander com muito fuzz nas guitarras.

1978
D.O.A.

A banda punk canadense D.O.A., comemorando 40 anos de carreira, acaba de lançar esta coletânea chamada 1978, compilando 21 faixas entre demos, faixas raras e os primeiros singles do grupo. Lançado em CD e LP, o disco tem pérolas como as faixas America the Beautiful e Liar for Hire ambas em versão demo ainda com Chuck Biscuits (Black Flag, Danzig, Social Distortion) na bateria.

No Geography
The Chemical Brothers

Ao lado do Prodigy e Atari Teenage Riot, o Chemical Brothers injetou atitude rock na música eletrônica dos anos 1990. Neste nono disco de estúdio, o primeiro desde 2015, a banda passeia pelo psicodelismo dançante mas entrega singles de sonoridade pop marcante, mais palatáveis a quem é de fora do estilo, coisa que não acontecia desde o disco Come With Us (2002). Sem soar datados, o duo resgata o que de melhor tinha sem deixar de seguir em frente.

Cidade Solidão
Inocentes

O novo EP da banda punk paulistana Inocentes, lançado digitalmente e em vinil de 7 polegadas, vem com três faixas inéditas e uma regravação da música Escombros – lançada originalmente no CD Ruas (1996). O disquinho resgata um Inocentes muito bem produzido e em sua melhor forma musical, com ótimos refrões e melodias. Na versão digital do disco temos ainda a faixa bônus Terceira Guerra, um cover da banda Fogo Cruzado.

Morbid Stuff
PUP

O PUP é das bandas alternativas mais instigantes e interessantes da novíssima geração. Os canadenses chegam a seu terceiro disco de uma carreira ascendente com videoclipes geniais (procure o de Free At Last) e muita energia nas canções tão tortas quanto pop. Punk rock, rock alternativo e até mesmo metal (como em Full Blown Meltdown) compõem a barulhenta receita musical do jovem e promissor quarteto.

Begin Again
Norah Jones

Disco que apresenta sete faixas, sendo que seis delas foram singles lançados previamente e que agora surgem compilados. Musicalmente Norah está mais livre do que nunca, fazendo música inclusive com parceiros interessantes, como Jeff Tweedy do Wilco que contribui nas composições A Song with No Name e Wintertime. Dá gosto de ver e ouvir uma artista com uma carreira tão bem resolvida se permitindo fazer música por prazer.

The Devil You Know
L.A. Guns

Tracii Guns, um dos principais nomes do hard rock americano, retorna com mais um disco de inéditas, na esteira da boa recepção que teve o álbum de 2017, The Missing Peace, trabalho que reuniu o vocalista Phil Lewis e o guitarrista supracitado após 15 anos. Cheio de riffs heavy, este rebento mostra um L.A. Guns em plena forma, com raiva e peso extra. Duvida? É só sacar o título das três primeiras músicas do CD: Rage, Stay Away, Loaded Bomb. Poderoso.

Kick
Dave Hause

Dave Hause vem construindo uma sólida carreira solo, grande parte dela baseada no folk, mas sem virar as costas para seu background punk (Paint It Black / The Loved Ones). Neste novo disco as melodias pop encobrem letras questionadoras e positivas. Radiofônico e acessível, Dave merecia maior espaço no mainstream, mas por enquanto opera no underground americano com mais um disco com produção acima da média.

Jacoozzi
Brant Bjork

Com 11 discos solo lançados, e tendo passagem importante por bandas essenciais do stoner rock como Kyuss e Fu Manchu, o multi-instrumentista Brant Bjork lança este Jacoozzi, disco que está gravado há quase uma década, mas só agora recebeu seu devido lançamento. O disco passeia por dez longos temas majoritariamente instrumentais, unindo algo de jazz rock com psicodelia, a trilha perfeita para aquele relax em uma… jacuzi.

The Valley
Whitechapel

Blast-beats, vocal gutural e dinâmicas instrumentais compõem o novo disco do Whitechapel. Na maioria do tempo o álbum busca imprimir um metal brutal, mas por vezes atmosferas mais melancólicas acompanhadas de um vocal limpo e harmonioso tomam conta das coisas, como em Hickory Creek e Third Depth. Num geral The Valley não entrega grandes novidades, mas impressiona os não iniciados pela fúria em alguns momentos.

Abaixo De Zero: Hello Hell
Black Alien

Com faixas dialogando entre si, este novo álbum do rapper Black Alien retrata o processo de sobriedade do artista após duas décadas de abusos de álcool e de drogas. Com sonoridade hip hop jazzística e letras confessionais, o disco de nove faixas coloca o vocalista de novo no game do RAP nacional, rimando em português e inglês em letras que trazem menções pop até a Black Flag, em cima de beats do produtor Papatinho (Cone Crew).

Não Há Abismo em que o Brasil Caiba
Jorge Mautner

Muito além do Maracatú Atômico, Jorge Mautner agora próximo dos 80 anos apresenta seu novo disco de inéditas em 13 anos. Com referências ao candomblé e a um Brasil caoticamente real, Mautner encontra espaço inclusive para homenagear Marielle Franco em faixa samba-rock de mesmo nome. Ideológico e literário, o trabalho do músico trafega sem medo por caminhos tortos, com direito a declamações contundentes e uma MPB não ortodoxa.

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