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“Foi uma surpresa muito boa”, diz Alf Sá sobre o sold out duplo do Rumbora em São Paulo

LUPA CHARLEAUX
Foto: Luciana Tolentino

Em 1999, os brasilienses do Rumbora lançaram seu disco de estreia, 71. Com os singles Chapírous e Skaô, que logo se tornaram hits do rock do cerrado, a banda começou a trilhar seu caminho na cena musical nacional e teve muitas conquistas, entre elas a participação Rock In Rio 3 em 2001.

Avançando 20 anos nesta história, a banda inicia sua turnê comemorativa de duas décadas do seu primeiro álbum nesta quinta-feira (18), em São Paulo. Com uma “rodada dupla” já esgotada no Sesc 24 de Maio, o quarteto deve apresentar muitos outros clássicos e finalmente encerrar o hiato que começou em 2005.

Para saber mais como estão os preparativos para esse retorno aos palcos, conversamos com o guitarrista e vocalista Alf Sá. O músico conta um pouco sobre a recepção do público e relembra também histórias deste álbum tão adorado pelos fãs.

O retorno e a força da internet

Quando o Rumbora deu uma pausa nas suas atividades, muitos fãs se sentiram órfãos do grupo. Entre uma postagem e outra nas redes sociais, entre o print do player de música no celular ou uma foto de um CD guardado com muito carinho; a hashtag #VoltaRumbora ganhava espaço. Até que em março deste ano, o grupo confirmou o retorno.

“Essa era uma vontade que já existia há algum tempo. Entre encontro e desencontros, acabou demorando até conseguirmos organizar todas as agendas e fazer a coisa acontecer de uma vez por todas”, conta Alf sobre a reunião e a comemoração do álbum de estreia.

Nos primeiros anos de vida, o Rumbora conquistou muitos fãs por conta dos já citados hits, assim como o single O Mapa da Mina, presente no disco Exército Positivo Operante (2000). Esse grupo de admiradores continuou aumentando com novas pessoas que os conheceram durante o hiato. E a resposta ao tão aguardado retorno da banda aconteceu de forma inesperada.

Mesmo sendo uma apresentação dupla, os ingressos para os dois horários no Sesc 24 de Maio se esgotaram rapidamente. A primeira leva disponível pela internet, por exemplo, acabou em cerca de 20 minutos. Mesmo ao disponibilizar mais cadeiras para o público, as duas sessões foram sold out. Fato que surpreendeu a todos – tanto os fãs quanto a banda.

“Nós sabíamos que existia uma galera interessada, por conta dos pedidos que o pessoal fez durante esses últimos anos. Mas acabar os ingressos tão rapidamente foi uma surpresa muito boa”, conta Alf feliz com o resultado. “Foi um sinal de conexão forte e espontânea”.

O músico conta que essa resposta inesperada do público foi um excelente gás para início de turnê. Agora ele espera que essa energia se estenda para as próximas datas. “Nós queremos cair na estrada, encontrar o pessoal e fazer um som. Pois é para isso que foi criada essa banda”, revela.

Os bastidores do álbum 71

O sucesso de 71 em 1999 foi a coroação para um imenso trabalho desenvolvido pelo Rumbora. “São músicas que fazem parte da nossa vida e reflete uma época bem intensa. De mergulhar de cabeça nesse projeto e alugar uma sala para ensaiar”, conta Alf.

O músico lembra o quanto de tempo e energia foram gastos para criar o material que os ajudou a conquistar um espaço na cena do rock, tanto de Brasília, quanto nacional. “Sem exagero nenhum, nós passávamos as 24 horas do dia ensaiando. Nosso dia era compor músicas de manhã, ensaiar a tarde e tirar algumas covers à noite para levantar uma grana”.

Outra lembrança marcante deste período inicial do Rumbora foi o Porão do Rock. Os integrantes da banda foram os idealizadores do principal festival de Brasília. “Nós tivemos que criar o evento. Por incrível que pareça, não tínhamos onde tocar, mesmo depois do boom de bandas na cidade”, explica Alf. “No espaço em que alugávamos uma sala para ensaiar, tinha mais umas 20 bandas ensaiando também. Então, nos reunimos e criamos o festival”.

Curiosamente, uma das datas confirmada da turnê de 20 anos de 71 será no festival em questão; e a banda mostra-se muito animada com esse momento. “Vai ser muito louco. É a volta do filho pródigo. Estaremos em casa, pois o Porão do Rock faz parte da nossa história e da minha história pessoal”, explica o músico que participou da produção e coordenação técnica do festival em outras edições.

Os candangos de Brasília

Brasília é até hoje um celeiro de grandes bandas. Basta lembrar de Legião Urbana, Capital Inicial, Plebe Rude e, claro, Raimundos. A história do último grupo cruzou diversas vezes com a do Rumbora. Alf, por exemplo, foi baixista do quarteto por cinco anos, além de ter outros projetos com alguns dos integrantes, como a Supergalo.

Em 2019, coincidentemente, ambas as bandas estarão na estrada para celebrar lançamentos de álbuns importantes de suas carreiras. Raimundos comemora os 25 anos do disco de estreia Raimundos (1994), enquanto o Rumbora promove os 20 anos de 71.

Perguntado se haverá um encontro das turnês dos “candangos”, Alf não descartou a possibilidade. “Nós ainda não chegamos a planejar algo em cima disso. Mas seria interessante, pois são duas comemorações de álbuns e de bandas que praticamente cresceram juntas”, comenta.

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