PPA #124 – Hurry Up propaga a “Empatia” em seu novo disco

Empatia. Esse é o nome e o conceito por trás do novo trabalho da Hurry Up. O quarteto de Americana, no interior de São Paulo, lançou na semana passada seu segundo disco que busca despertar esse sentimento de se colocar no lugar do outro nos ouvintes. Por isso e por outras coisas, resolvi falar sobre esse incrível material no PPA desta semana.

Definir a banda como apenas pop punk ou punk rock melódico é limitar também as expectativas do público, pois o quarteto surpreende de diversas maneiras. Em Empatia, eles vão além do estilo e desenvolvem ainda mais a sonoridade própria apresentada nos trabalhos anteriores, além de apostar em letras que retratam bem o que vivemos nos dias de hoje.

Debatendo temas como intolerância (Casamento Gay) e depressão (Good Days, Bad Days), a Hurry Up mostra-se estar atenta ao que acontece ao nosso redor. As amarguras e as belezas da vida adulta também são assuntos de algumas letras como Sundays e Diegos e Fridas.

Alguns motes podem ser pesados, mas a banda consegue transformar em algo poético. E em todas elas encontramos os traços que refletem a proposta de promover a ideia de realmente se enxergar no lugar do outro. Um ótimo exemplo disso é A Lei de Ouro, letra que destaca a importância de se preocupar com uma outra pessoa que está passando por problemas.

Uma coisa que sempre admirei na Hurry Up é o tag team entre os vocalistas Bruno Meneghel e Lucas Arissa. Essa técnica continua sendo apresentada em Empatia e mais uma vez torna-se um elemento diferencial. Em algumas faixas, como Hurry Up, Life Won’t Wait e Dois Mil e Quatorze, isso é a cereja do bolo na sonoridade que eles apresentam.

Sempre pautado pelo punk rock melódico, cada faixa apresenta uma influência ou elemento a mais que surpreende quem está ouvindo. Por exemplo, We Are The Ones traz uma característica de “indie punk alternativo”, enquanto Odqnqvpc tem um estilo mais cadenciado e reflexivo, destacando o instrumental.

Outra marca que chama atenção do material são as composições que misturam os idiomas português e inglês; e isso às vezes acontece na mesma música, como é o caso de O Mundo é Meio Bosta (But I Like It) e Goddamit, Mulder!. O que poderia soar estranho, acaba sendo fantástico, pois mesmo se o ouvinte não tiver domínio de uma das línguas, ele ainda consegue compreender a mensagem da letra de alguma maneira.

Mesmo eu adorando a dinâmica do disco de estreia Ambulance Field Service (2013), Empatia mostra o quanto a Hurry Up amadureceu ao longo dos anos. E é sempre ótimo ver uma banda nacional e independente evoluindo e apresentando materiais ricos em qualidade. Sem dúvidas, esse é um álbum que vai render muitos frutos para a banda.

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