Disqueria - Carlos Da Hora

Disqueria #13 – O rock nacional em boas mãos

CARLOS DA HORA

Antes de começar, queria agradecer e dedicar esta resenha ao meu grande amigo João Victor Mendes, conhecido pelos mais íntimos como “Boleta”, por me mostrar o quão bom é o disco Magnetite (2017).

Lançado no dia 18 de agosto de 2017, o disco Magnetite é o quarto registro de estúdio da banda brasiliense Scalene, que ainda tem um álbum ao vivo.

Me lembro de escutar o disco pela primeira vez e ficar completamente em choque com a explosão de Extremos Pueris, faixa de abertura do álbum. Sério, eu não tinha reação para expressar o que estava escutando, só fiquei parado e pensando: “caraca, isso aqui é animal”.

Magnetite vai se desenrolando e grande parte da bomba sonora que é apresentada na primeira faixa é substituída por músicas mais melódicas com letras fortes, como é o caso de Cartão PostalEsc (Caverna Digital).

Porém, quem pensar que essa é a deixa para o álbum ficar nesse estilo se engana, quando começa Distopia ninguém espera que a música, que faz duras críticas contra pessoas que se “aproveitam” da fé alheia em sua letra, seja um ponto que deixa o disco bem mais pesado.

E é assim que Magnetite mostra sua cara, ou melhor, suas duas caras, a mescla entre a forte presença instrumental que dá ainda mais tons de intensidade na indignação e críticas que a bandas faz em suas canções, e a suavidade que a banda consegue ter abordando temas um pouco mais sensíveis cantados pelo ótimo Gustavo Bertoni. Posso dizer que o disco é stoner? Posso. E pop rock? Também. Huum, é rock alternativo? Idem. Essa é a verdade maravilha do Magnetite, a mistura que encaixa e se conecta.

Vale lembrar que phi é um encerramento digno para o álbum, não consigo imaginar este disco sendo encerrado por outra música a não ser por ela.

E quando dou esse título para a resenha, não quero dizer que o rock nacional é representado unicamente pela banda, mas que o grupo consegue trazer mudanças sonoras que na maioria das vezes só vemos em bandas gringas, como Queens of the Stone Age, Thrice e Radiohead, essas três aliás estão na lista de inspirações do Scalene.

Além do mais, as canções deste disco escutadas ao vivo são sensacionais. A banda consegue fazer um show de respeito, transmitindo muita emoção para a platéia. Já fui em dois shows do Scalene e pretendo ir mais vezes.

Dê uma chance para o Magnetite, e se você já conhece este trabalho da banda, escute de novo.

 

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