Santos também tem um Pepe no rock – parte 2/2

Pepinho e Uruka, ex-tatuador da Metal Rock. Crédito: Arquivo Pessoal / Pepinho Macia

Um dos caras mais envolvidos com o rock em Santos, Pepinho Macia foi proprietário da loja Metal Rock, no Gonzaga. Durante muitos anos, a loja foi o principal ponto de encontro de headbangers e roqueiros em geral.

A partir da loja, surgiram as excursões para os principais shows em São Paulo. Depois de uma longa pausa, Pepinho retomou o gosto pelas viagens e segue com tudo.

No post de hoje, ele fala sobre a loja, as excursões, a rivalidade Santos e São Vicente e a entrada no futebol.

Metal Rock
A loja foi inaugurada em 1984, no Shopping Embaré. Dois meses depois o André Fiori abriu a London. Em 10 meses, o Toninho veio com a Kissom. No começo não vi com bons olhos, mas depois percebi que era melhor centralizar o público. Um ano depois contratei o primeiro funcionário, o Blackmore, que continua até hoje como vendedor em uma loja de disco, na Galeria do Rock.

Era terrível, na época, comprar material, então eu ia para São Paulo uma vez por semana para trazer discos. 99% do material que eu trazia era da minha coleção. Hoje, tenho 15 mil discos, entre vinil e CD. Mas eu trazia os discos e gravava para o pessoal também.

Eu ganhava uma grana legal. O sábado lá era lotado. Eu sai do Embaré porque a loja cresceu muito, daí pensei em ampliar e fui para no Gonzaga. Isso aconteceu entre 1988 e 1989. Um ano depois, as outras duas lojas do shopping fecharam.

Os primeiros anos no Gonzaga foram maravilhosos. Em seguida o César Di Giacomo e o Panda abriram a Amsterdã. Depois eles mudaram o nome para Blaster e venderam para o Rafa. A estrutura da Metal Rock aumentou e usei a sobreloja da casa para guardar os vinis.

Mas a rivalidade com a Blaster sempre foi sadia. Teve uma situação muito pitoresca de um garoto que roubava discos na minha loja e levava para o Rafa comprar e vice versa. Um certo dia o Rafa se ligou e me avisou. Aí vimos que estávamos comprando um o disco do outro e montamos uma tocaia. O Rafa o pegou e o trancou dentro da Blaster. Foi na minha loja me buscar. Aí fomos à casa do moleque e pegamos tudo que tinha nosso por lá.

O pessoal consumia muito também os acessórios das bandas: camisetas, pôsteres, bonés, bermudas e quadros. Como a sobreloja era muito grande, em 1992 o Uruka (ex-vocalista do Vulcano) ficou com uma parte para ele montar o estúdio de tatuagem.

Eu cheguei a abrir uma filial em Cubatão, que só durou um ano. Era um box no Casqueiro. Em Cubatão tem muita gente que curte som, mas lá não tive retorno, porque eles gostavam de vir para Santos curtir a Metal Rock, a Blaster e o próprio Gonzaga.

Pepinho e Uruka, ex-tatuador da Metal Rock. Crédito: Arquivo Pessoal / Pepinho Macia

Excursões

O André Fiori, da London, fez a excursão para o show do Van Halen em 1983. Depois de um ano, eu fiz a do Kiss. Virou uma coisa normal. Todo show eu levava, no mínimo, dois ônibus. Era muito legal ver centenas de pessoas na porta da loja indo para o ônibus.

Na primeira vez que o Red Hot Chilli Peppers veio para o Brasil (Hollywood Rock de 1993), um dos ônibus parou. A policia deu uma geral e encontrou substâncias ilegais. E o que eu podia fazer? Nada! Mas eu achei incrível que as 48 pessoas que estavam no ônibus acabaram indo ao show. Arrumaram um jeito de pegar ônibus na estrada, táxi e chegaram.

Recentemente, Pepinho retomou seu trabalho com as excursões e em quase todos os shows ele está presente com o público santista. Seja em São Paulo, Paulínia, Rio de Janeiro ou qualquer outro lugar do Brasil.

Pepinho e Tarso Carnal, da banda Carnal Desire. Crédito: Arquivo Pessoal / Pepinho Macia

O Selo M Rock Records

Quando comecei a trazer os shows para Santos, me aproximei das bandas da região. Fiquei muito próximo do pessoal do Mr Green e lancei o CD dos caras. Depois, da região, só produzi o Last Joker. A vendagem foi muito boa. O Mr Green vendeu tudo que eu fiz. O Last Joker vendeu um pouco menos. O problema foi que eles entraram com um hard rock, na linha do Whitesnake, na época do Nirvana e Pearl Jam. Se tivessem lançado o disco na década de 1980 teriam estourado. O selo parou por causa da mudança do vinil para o CD e eu não me adaptei por causa do preço de produção dos CDs.

São Vicente x Santos

Dependendo do que você escutasse você era considerado Playboy. A turma de São Vicente era mais heavy metal que a de Santos.

O baile de São Vicente era mais Heavy Metal que o de Santos. E, realmente, o pessoal de São Vicente era mais unido e corria mais atrás das novidades. O povo de Santos não era tão unido. Era raro, mas às vezes surgia um quebra-pau. Quando abri a loja, esses conflitos sumiram.

No começo dos anos 1980 era muito legal. Você saia na rua de cabelo comprido e alguém já gritava: “Olha o Johnn Lennon”. Na época era um radicalismo total. Se não gostasse de Heavy Metal era Playboy.

A Entrada no futebol

Eu sempre respirei futebol por causa do Pepe, meu pai. (Pepe foi o maior artilheiro do Santos, depois do Pelé. Marcou 405 gols). Depois ele virou treinador e eu acompanhei o dia-a-dia dele no mundo todo. Quando ele começou, em 1973, eu era muito novo.

Quando eu completei 14 anos, eu comecei a jogar no Santos. Fiquei lá por cinco anos. Eles achavam que eu tinha que ser ponta esquerda, mas eu sempre tive problema de peso e eu não conseguia dar tanta velocidade e por este motivo eu não joguei profissionalmente.

Daí veio a época do rock e eu me afastei um pouco mais, mesmo respirando futebol. Em 1998 fiz um curso para virar treinador. Meu pai me apoiou pra caramba.

Até hoje eu já fiz cinco cursos de treinador e adoro trabalhar com futebol. Comecei a carreira no Internacional de Limeira. Passei por Leme e Araraquara.

Depois fui trabalhar com o meu pai na Portuguesa Santista. Fizemos um campeonato animal, ficamos em terceiro no Paulista, ganhamos do Santos e empatamos com o São Paulo no Morumbi. o nosso goleiro pegou dois pênaltis, foi 1 a 1. De lá para cá trabalhei com ele no Guarani e no Catar. Quando eu voltei para o Brasil, trabalhei no São Vicente.

COMENTÁRIOS: 17 comentários

  1. Ricardo disse:

    A primeira loja de rock que eu lembro foi a som jeans depois veio a london do andré lá no centro da cidade, isso aí que o pepinho falou não foi bem assim não, quando o pepinho abriu a loja dele a london já existia faz tempo e eu fui numa excursão da London pro Quiet Riot quando era lá no centro aí um ano depois mudou pro Embaré e depois o André abriu a loja dele em são paulo e tá lá até hoje

    • Pepinho Macia disse:

      Em nenhum momento quis dizer que a METAL ROCK foi a 1ºLOJA de Rock de Santos, quis dizer que na Galeria em que abri a loja, logo depois vieram o Andre e a seguir o Toninho (hoje grandes amigos meus)
      Agora, modestia a parte, a loja que marcou época mesmo foi a METAL ROCK RECORDS, ou tambem NAO FOI BEM ASSIM NAO??
      hehehehehehehe

  2. Jaqueline disse:

    onde se localiza???

    • Lucas Krempel disse:

      A Metal Rock, Jaqueline?
      Era na Rua Tolentino Filgueiras, duas ou três casas antes de chegar na Avenida Ana Costa, pra quem vem do Canal 3.

      • Estevan Gonzalez disse:

        A Metal era ao lado do restaurante Barramares, esquina da Ana Costa com Tolentino!
        Velhos e bons tempos em que íamos lá escutar as novidades!
        Fora as gravações em K-7 que o Pepe fazia!

  3. marco disse:

    que me desculpem os outros mas comparar a metal rock com as outras lojas da epoca e ridiculo a metal rock foi a unica loja totalmente rock da baixada santista se preocupava em estar sempre atualizada ,enquanto se conhecia nasty savage ,sortilege,jugernault e outros, os caras escutavam duram duram e outras jacas nao da pra comparar

  4. Porra , demais esta materia… eu e o Wladimyr (zonapunk) ficávamos enchendo o saco do Pepe , ele pedia p gravar fitas grunge , dos Pistols .O gordo(wlad ) , me lembro tinha acabado de chegar e SP e conheceu a loja ; eu
    ia mais atrás de discos de metal, as coisas mais obscuras tocadas por guitarras . A metal rock marcou, fui a muitos shows por lá. Com certeza fez parte de minha vida e cultura musical ! Rodrigo

    • O Perigoso, outra grande figura , andava com os SXE …curtia muito HC e sempre trocava ideia com ele, sobre bandas , isto em meados de 1995 !M elembro de uma vez , em uma excursão ao monsters of rock , ele marcou errado o numero de pessoas q iam e o Pepe xingou para caralho ! hahha mas depois acertaram a contagem do busão . Certa vez em outra excursão , um metaleiro me presenteou com uma garrafa de vinho de 5 l. Bem ,só me lembro para implorar para o motorista ( um velho com boina de marinheiro e ranzinza ) parar o ônibus para eu mijar . Subi a serra totalmente bêbado.

  5. Estevan Gonzalez disse:

    E o Hard ‘n’ Heavy?! Quem se lembra?! Programa de rádio conduzido pelo Pepe que rolava aos domingos! Sempre rolava novidades e sorteios de brindes! Você mandava sua carta, pedindo músicas e concorria a prêmios! Posters, LP’s e adesivos!
    E uma das várias vezes que estive na loja, o Pepe descolou a demo do Chaos A.D., do Sepultura e rolou lá p/nós! Quando escutei aquilo, fiquei louco, pois era um passo a frente da banda e do gênero, num contexto geral!
    Dias depois, rolou no seu programa!
    É galera! Recordar é viver!
    Abs a todos!

  6. Emerson disse:

    Pois é galera, agora é só recordar…As rádios Rock da baixada (e SP)foram caindo, uma a uma…Lamentável!

  7. fred manowar disse:

    fala pepinho, blz meu irmao
    bons tempos da loja hein, me recordo bem dessa epoca, cheguei ate a fazer minha tatoo la com uruka, acho que foi em 93

    abcs

  8. fred manowar disse:

    as excursoes eram demais me lembro do show do venom e aquele show do metallica em sp., quando vieram a primeira alucinante…

  9. ERICK disse:

    CARAMBA…SOU DE SANTOS E MORO EM ARACAJU…SOU DE UMA BANDA CHAMADA BACTERIA´S ROCK BAND….DÁ UM SAQUE NO YOUTUBE…É SÓ COLOCAR O NOME DA BANDA….DEPOIS DIGA O Q ACHOU

  10. GRANDE PEPE QUANTOS ANOS,COMO VOCE VAI TUDO BEM CONTIGO, VELLHOS TENPO EM AMIGAO,….PESSOL TUDO QUE O PEPE ESCREVEU E A PURA REALIDADE E VERDADE,TENHO SAUDADES DISSO TUDO, SOU MUSICO E NASCI COM MUINTO ORGULLHO NO ANO E MES DO ROCKEM ROLLLL EM 1956 EM SANTOS, O ROCK E UMA RELEGIAO SEGUE AQUELE QUEM TEM O D.N.A DELE NA VEIA,AMIGOS UM GRANDE ABRAÇAO DE CORAÇAO A TODOS VOCE,PEPE MEU BRODHER DEUS TE ABENÇOE,MANDE UM GRANDE ABRAÇAO AO RAFA… JAGUARIUNA,20,8 2012 ……LONG..LIVEN..ROCKEN ROLLLLLLLL

  11. puta cara tive oportunidade de visitar a loja em 1989 comprei um vinil do anvil hard em heavy, valeu um abraço eram demais os anos 80 no metal… um abraço de carlão de piracicaba

  12. Marcio Loiacono disse:

    A loja do Pepinho era classe a….vim de São Paulo e só comprava na Woodstock, Yesterday & Today, Baratos Afins e Rock‘n‘Rollos…..quando mudei pra Praia Grande comecei a comprar meus Lp‘s na Metal…..incluindo alguns do Cheap Trick, quando fechou passei a frequentar a Blaster do Rafa….até hoje……as vezes mato as saudades na Galeria do Rock e destaco a Animal Records, que tem um. santista que trabalha lá, tb compro pela ebay as raridades, mas hoje o Rafa é o cara e o Pepinho o promoter….hoje mesmo vou na excursão dele ver o glorioso Accept….long live rock‘n‘roll…..

  13. gótico sagaz disse:

    Eu lembro da Loja do Rui Pantera (só de usados)
    q foi a primeira loja de rock (apesar de ter outros estilos) de Santos.
    Mas a metal rock q marcou época.
    Vc deveria voltar e abrir uma nova loja Pepe.

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