Brasil e Mexico

Anunciada como luta de grandes rivais em ringue de boxe, a nova disputa entre Brasil e Mexico voltou a atrair multidões…de investidores e economistas a analistas políticos. Alavancado por um novo presidente, Peña Nieto, do tradicional (e renovado) Partido Revolucionario Institucional (PRI), que promete recolocar o país no mapa do Mundo, e turbinado por uma visita do Presidente Obama, que relançou (pela enésima vez na história recente americana) a parceria preferencial com o vizinho, o Mexico tenta se colocar novamente no páreo…

O Mexico vive uma situação paradoxal. Mais que abraçado, amarrado aos EUA, em comércio, migrações, investimentos e segurança, o país tenta, como forma de respirar e se viabilizar econômica e politicamente, lançar cordas a outros continentes e, se possível, exercer liderança periférica no seu entorno principal: a América Latina. Aí esbarra no Brasil.

Há vinte anos, quando assinou o NAFTA com EUA e Canadá, o México seduziu dezenas de países com um modelo que prometia ser a porta de entrada para o primeiro mundo. A promessa mostrou ser o canto da sereia, levando o próprio Mexico quase à beira do naufrágio…seu perfil internacional despencou; foi ultrapassado por vários países, inclusive por Venezuela e Brasil, como alternativa ao desenvolvimento regional… De queridinho dos mercados, passou à sombra dos emergentes, dos BRICS.

Em sua sanha de diversificação, o Mexico assinou dezenas de acordos bilaterais de comercio com outros países, construindo expressiva teia de relações comerciais, com perfil neoliberal de relacionamento. A estratégia bilateral foi a única alternativa, mas, agora é vista não apenas como salvação, mas como novo modelo…. O que mostra como os mercados são cegos para todo o resto, quando elegem um modelo, é que o México está em guerra civil, uma guerra contra as drogas que já fez mais de 60 mil mortos e que produziu territórios desgovernados, como o Estado de Michoacán, e fez do principal centro de riqueza, a cidade de Monterrey, um local atemorizado por sequestros, muito próximo à Colombia dos anos de 1990.

Se os mercados agora põe o México no ringue contra o Brasil – onde há mais intervenção do Estado na economia e menos concordância com políticas de abertura para diversos setores – as apostas visam enfraquecer a ambos e enriquecer setores que pouco se importam com o desenvolvimento autônomo dos países, a melhor distribuição de renda e a coesão social; preocupam-se mais – mais do que nunca em tempos de crise – com os seus altos lucros.

 

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